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Manuel Gondra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Manuel Gondra
BERJAYA
Nascimento1 de janeiro de 1872
Buenos Aires
Morte8 de março de 1927 (55 anos)
Assunção
CidadaniaParaguai
Ocupaçãojornalista, diplomata, político, escritor
Cargo(s)
Presidente do Paraguai (1920–1921)
AntecessorJosé Pedro Montero
SucessorFélix Paiva
Paraguayan Ambassador to the United States (1917–1920)
Presidente do Paraguai (1910–1911)
AntecessorEmiliano González Navero
SucessorAlbino Jara

Manuel Gondra Pereira (Buenos Aires, 1 de janeiro de 1871Assunção, 8 de março de 1927) foi um jornalista e político paraguaio, presidente do país por duas ocasiões, de 25 de novembro de 1910 a 11 de janeiro de 1911 e de 15 de agosto de 1920 a 31 de outubro de 1921.[1]

De agosto de 1905 a julho de 1908 foi enviado extraordinário e plenipotenciário junto ao Governo do Brasil. Ao retornar do Rio de Janeiro, ingressou na Liga da Juventude Independente nas fileiras liberais e em outubro de 1908 foi nomeado Ministro das Relações Exteriores. Um ano e meio depois, em 14 de maio de 1910, foi proclamado candidato presidencial. Ele venceu e assumiu o cargo em 25 de novembro de 1910, mas apesar dos esforços de Gondra, houve várias tentativas de revolução. Em 18 de janeiro de 1911, Gondra renunciou ao cargo perante o Congresso.

Foi também Ministro Plenipotenciário em Washington. Em 15 de agosto de 1920, assumiu a presidência pela segunda vez, e foi responsável por estabelecer os primeiros contatos para trazer colonos menonitas para o Paraguai. Manuel Gondra foi um dos principais defensores da diversidade e igualdade, dos Direitos Humanos e da abertura do Paraguai a povos estrangeiros, militando ativamente contra a discriminação de todos os tipos. Suas duas missões junto ao governo brasileiro lhe renderam o respeito e a estima do Barão do Rio Branco, e logo após assumir seu segundo mandato, ele começou a mostrar seu desacordo com a dependência do Paraguai da Argentina, promovendo fortemente a quebra dessa condição. Eusebio Ayala também defendeu um melhor aproveitamento de Puerto Esperanza, às margens do rio Paraguai em Mato Grosso e a construção de uma ferrovia ligando a atual Foz do Iguaçu a Assunção. A Gondra devemos o início dessa visão geopolítica de saída para o Oriente e de maior aproximação com o Brasil para sair da hiperdependência da Argentina.

Representando o Paraguai na V Conferência Pan-Americana, realizada em Santiago do Chile em 1924, obteve retumbante sucesso internacional com a chamada "Convenção de Gondra", aprovada por unanimidade sem uma única emenda. Ao propor a arbitragem compulsória entre as nações americanas como instrumento jurídico para eliminar do continente os perigos da guerra, ele emitiu conceitos tão belos quanto este: "Em um conflito entre Estados, o fraco pode ser justo; o forte pode ser. Mas a injustiça de um é limitado por sua própria impotência, enquanto o do outro pode pretender ir aonde vai sua força. Por isso, não podendo fazer o justo sempre forte, tentamos fazer o forte sempre justo".[2][3]

Dom Manuel Gondra viveu e morreu pobre. Ele era conhecido por ir ao Palacio de los Lopez, a sede do governo, a pé em vez de usar a carruagem presidencial. Ele não amava a política ou a bajulação do poder. Sempre que podia evitar cargos públicos, ele se retirava para as sombras férteis de sua biblioteca para ler e meditar. Sua vida austera foi dedicada à cultura, às ideias, ao bem público e aos altos ideais de justiça e liberdade. Sua biblioteca particular foi uma das mais valiosas do Paraguai e após sua morte foi adquirida pela Universidade de Austin, no Estado do Texas.

Rodeado pelo respeito de seus concidadãos de todas as crenças políticas, morreu em Assunção em 8 de março de 1927. Em cumprimento de sua última vontade, seus restos mortais repousam a céu aberto, no campo ensolarado de Ypané.

Referências

  1. Nohlen, Dieter; Nohlen, Professor of Political Science Dieter (2005). Elections in the Americas: A Data Handbook: Volume 2 South America (em inglês). 2. Oxford: OUP Oxford. p. 439. ISBN 9780199283583
  2. "El Paraguay a comienzos del siglo XX (1900-1930)" de Liliana Brezzo / "Cumbre en soledad" de Benigno Riquelme / "Hombres y épocas del Paraguay" de Arturo Bray / "Breve historia de grandes hombres" de Luis G. Benítez / "Efemérides" de Luis Verón / "Manuel Gondra - Los Mejores al Poder" de Ricardo Caballero Aquino / "Les transformations du Droit International", Revista jurídica mensual editada y publicada en París, edición de enero de 1927 / Artículo y recopilación de Eduardo Nakayama, Asociación Cultural Mandu`arâ
  3. Romero, Roberto: Gondra, un intelectual ejemplar; 1989. 148 págs

Precedido por
Emiliano González Navero
Presidente do Paraguai
Primeiro mandato

1910 - 1911
Sucedido por
Albino Jara
Precedido por
José Pedro Montero
Presidente do Paraguai
Segundo mandato

1920 - 1921
Sucedido por
Eusebio Ayala