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Educa��o

�guas subterr�neas, o que s�o?

�ndice
1. �guas Subterr�neas
1.1 Ocorr�ncia e Volume das �guas Subterr�neas
1.2 Qualidade das �guas Subterr�neas
1.3 Uso das �guas Subterr�neas

2. Aq��feros
2.1. Tipos de Aq��feros
2.2 �reas de Reabastecimento e Descarga do Aq��fero
2.3 Fun��es dos Aq��feros
2.4. Ocorr�ncias no Brasil
2.5 Impactos Ambientais sobre os Aq��feros

1. �guas Subterr�neas

�gua subterr�nea � toda a �gua que ocorre abaixo da superf�cie da Terra, preenchendo os poros ou vazios intergranulares das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas, e que sendo submetida a duas for�as (de ades�o e de gravidade) desempenha um papel essencial na manuten��o da umidade do solo, do fluxo dos rios, lagos e brejos. As �guas subterr�neas cumprem uma fase do ciclo hidrol�gico, uma vez que constituem uma parcela da �gua precipitada.

Ap�s a precipita��o, parte das �guas que atinge o solo se infiltra e percola no interior do subsolo, durante per�odos de tempo extremamente vari�veis, decorrentes de muitos fatores:

- porosidade do subsolo: a presen�a de argila no solo diminui sua permeabilidade, n�o permitindo uma grande infiltra��o;
- cobertura vegetal: um solo coberto por vegeta��o � mais perme�vel do que um solo desmatado;
- inclina��o do terreno: em declividades acentuadas a �gua corre mais rapidamente, diminuindo a possibilidade de infiltra��o;
- tipo de chuva: chuvas intensas saturam rapidamente o solo, ao passo que chuvas finas e demoradas t�m mais tempo para se infiltrarem.

Durante a infiltra��o, uma parcela da �gua sob a a��o da for�a de ades�o ou de capilaridade fica retida nas regi�es mais pr�ximas da superf�cie do solo, constituindo a zona n�o saturada. Outra parcela, sob a a��o da gravidade, atinge as zonas mais profundas do subsolo, constituindo a zona saturada (figura 2.1).

BERJAYA

FIGURA 2.1
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004)
FIGURA 2.1 - CARACTERIZA��O ESQUEM�TICA DAS ZONAS N�O SATURADA E SATURADA NO SUBSOLO

Zona n�o saturada: tamb�m chamada de zona de aera��o ou vadosa, � a parte do solo que est� parcialmente preenchida por �gua. Nesta zona, pequenas quantidades de �gua distribuem-se uniformemente, sendo que as suas mol�culas se aderem �s superf�cies dos gr�os do solo. Nesta zona ocorre o fen�meno da transpira��o pelas ra�zes das plantas, de filtra��o e de autodepura��o da �gua. Dentro desta zona encontra-se:

- Zona de umidade do solo: � a parte mais superficial, onde a perda de �gua de ades�o para a atmosfera � intensa. Em alguns casos � muito grande a quantidade de sais que se precipitam na superf�cie do solo ap�s a evapora��o dessa �gua, dando origem a solos salinizados ou a crostas ferruginosas (later�ticas). Esta zona serve de suporte fundamental da biomassa vegetal natural ou cultivada da Terra e da interface atmosfera / litosfera.
- Zona intermedi�ria: regi�o compreendida entre a zona de umidade do solo e da franja capilar, com umidade menor do que nesta �ltima e maior do que a da zona superficial do solo. Em �reas onde o n�vel fre�tico est� pr�ximo da superf�cie, a zona intermedi�ria pode n�o existir, pois a franja capilar atinge a superf�cie do solo. S�o brejos e alagadi�os, onde h� uma intensa evapora��o da �gua subterr�nea.
- Franja de capilaridade: � a regi�o mais pr�xima ao n�vel d'�gua do len�ol fre�tico, onde a umidade � maior devido � presen�a da zona saturada logo abaixo.

Zona saturada: � a regi�o abaixo da zona n�o saturada onde os poros ou fraturas da rocha est�o totalmente preenchidos por �gua. As �guas atingem esta zona por gravidade, atrav�s dos poros ou fraturas at� alcan�ar uma profundidade limite, onde as rochas est�o t�o saturadas que a �gua n�o pode penetrar mais. Para que haja infiltra��o at� a zona saturada, � necess�rio primeiro satisfazer as necessidades da for�a de ades�o na zona n�o saturada. Nesta zona, a �gua corresponde ao excedente de �gua da zona n�o saturada que se move em velocidades muito lentas (em/dia), formando o manancial subterr�neo propriamente dito. Uma parcela dessa �gua ir� desaguar na superf�cie dos terrenos, formando as fontes, olhos de �gua. A outra parcela desse fluxo subterr�neo forma o caudal basal que des�gua nos rios, perenizando-os durante os per�odos de estiagem, com uma contribui��o multianual m�dia da ordem de 13.000 km3/ano (PEIXOTO e OORT, 1990, citado por REBOU�AS, 1996), ou desagua diretamente nos lagos e oceanos.

A superf�cie que separa a zona saturada da zona de aera��o � chamada de n�vel fre�tico, ou seja, este n�vel corresponde ao topo da zona saturada (IGM, 2001). Dependendo das caracter�sticas climatol�gicas da regi�o ou do volume de precipita��o e escoamento da �gua, esse n�vel pode permanecer permanentemente a grandes profundidades, ou se aproximar da superf�cie horizontal do terreno, originando as zonas encharcadas ou pantanosas, ou convertendo-se em mananciais (nascentes) quando se aproxima da superf�cie atrav�s de um corte no terreno.


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1.1 Ocorr�ncia e Volume das �guas Subterr�neas

Assim como a distribui��o das �guas superficiais � muito vari�vel, a das �guas subterr�neas tamb�m �, uma vez que elas se inter-relacionam no ciclo hidrol�gico e dependem das condi��es climatol�gicas. Entretanto, as �guas subterr�neas (10.360.230 km3) s�o aproximadamente 100 vezes mais abundantes que as �guas superficiais dos rios e lagos (92.168 km3). Embora elas encontrem-se armazenadas nos poros e fissuras milim�tricas das rochas, estas ocorrem em grandes extens�es, gerando grandes volumes de �guas subterr�neas na ordem de, aproximadamente, 23.400 km3, distribu�das em uma �rea aproximada de 134,8 milh�es de km2 (SHIKWMANOV, 1998), constituindo-se em importantes reservas de �gua doce.

Alguns especialistas indicam que a quantidade de �gua subterr�nea pode chegar at� 60 milh�es de km3, mas a sua ocorr�ncia em grandes profundidades pode impossibilitar seu uso. Por essa raz�o, a quantidade pass�vel de ser captada estaria a menos de 4.000 metros de profundidade, compreendendo cerca de 8 e 10 milh�es de km3 (CEPIS, 2000), que, segundo Rebou�as et al. (2002), estaria assim distribu�da: 65.000 km3 constituindo a umidade do solo; 4,2 milh�es de km3 desde a zona n�o-saturada at� 750 m de profundidade, e 5,3 milh�es de km3 de 750 m at� 4.000 m de profundidade, constituindo o manancial subterr�neo.

Al�m disso, a quantidade de �gua capaz de ser armazenada pelas rochas e pelos materiais n�o consolidados em geral depende da porosidade dessas rochas, que pode ser de at� 45% (IGM, 2001), da comunica��o desses poros entre si ou da quantidade e tamanho das aberturas de fraturas existentes.

No Brasil, as reservas de �gua subterr�nea s�o estimadas em 112.000 km3 (112 trilh�es de m3) e a contribui��o multianual m�dia � descarga dos rios � da ordem de 2.400 km3 /ano (REBOU�AS, 1988 citado em MMA, 2003). Nem todas as forma��es geol�gicas possuem caracter�sticas hidrodin�micas que possibilitem a extra��o econ�mica de �gua subterr�nea para atendimento de m�dias e grandes vaz�es pontuais. As vaz�es j� obtidas por po�os variam, no Brasil, desde menos de 1 m3/h at� mais de 1.000 m3/h (FUNDAJ, 2003).

Na Argentina, a contribui��o multianual m�dia � descarga dos rios � da ordem de 128 km3/ano, no Paraguai, de 41 km3/ano e no Uruguai, de 23 km3/ano (FAO,2000).


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1.2 Qualidade das �guas Subterr�neas

Durante o percurso no qual a �gua percola entre os poros do subsolo e das rochas, ocorre a depura��o da mesma atrav�s de uma s�rie de processos f�sico-qu�micos (troca i�nica, decaimento radioativo, remo��o de s�lidos em suspens�o, neutraliza��o de pH em meio poroso, entre outros) e bacteriol�gicos (elimina��o de microorganismos devido � aus�ncia de nutrientes e oxig�nio que os viabilizem) que agindo sobre a �gua, modificam as suas caracter�sticas adquiridas anteriormente, tornando-a particularmente mais adequada ao consumo humano (SILVA, 2003).

Sendo assim, a composi��o qu�mica da �gua subterr�nea � o resultado combinado da composi��o da �gua que adentra o solo e da evolu��o qu�mica influenciada diretamente pelas litologias atravessadas, sendo que o teor de subst�ncias dissolvidas nas �guas subterr�neas vai aumentando � medida que prossegue no seu movimento (SMA, 2003).

As �guas subterr�neas apresentam algumas propriedades que tornam o seu uso mais vantajoso em rela��o ao das �guas dos rios: s�o filtradas e purificadas naturalmente atrav�s da percola��o, determinando excelente qualidade e dispensando tratamentos pr�vios; n�o ocupam espa�o em superf�cie; sofrem menor influ�ncia nas varia��es clim�ticas; s�o pass�veis de extra��o perto do local de uso; possuem temperatura constante; t�m maior quantidade de reservas; necessitam de custos menores como fonte de �gua; as suas reservas e capta��es n�o ocupam �rea superficial; apresentam grande prote��o contra agentes poluidores; o uso do recurso aumenta a reserva e melhora a qualidade; possibilitam a implanta��o de projetos de abastecimento � medida da necessidade (WREGE,1997).


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1.3 Uso das �guas Subterr�neas

Segundo Leal (1999), a explora��o de �gua subterr�nea est� condicionada a fatores quantitativos, qualitativos e econ�micos:

- Quantidade: intimamente ligada � condutividade hidr�ulica e ao coeficiente de armazenamento dos terrenos. Os aq��feros t�m diferentes taxas de recarga, alguns deles se recuperam lentamente e em outros a recupera��o � mais regular;
- Qualidade: influenciada pela composi��o das rochas e condi��es clim�ticas e de renova��o das �guas;
- Econ�mico: depende da profundidade do aq��fero e das condi��es de bombeamento.

Contudo, o aproveitamento das �guas subterr�neas data de tempos antigos e sua evolu��o tem acompanhado a pr�pria evolu��o da humanidade, sendo que o seu crescente uso se deve ao melhoramento das t�cnicas de constru��o de po�os e dos m�todos de bombeamento, permitindo a extra��o de �gua em volumes e profundidades cada vez maiores e possibilitando o suprimento de �gua a cidades, ind�strias, projetos de irriga��o, etc.

A rela��o, em termos de demanda quanto ao uso, varia entre os pa�ses, e nestes, de regi�o para regi�o, constituindo o abastecimento p�blico, de modo geral, a maior demanda individual (PROASNE, 2003).

Segundo Leal (1999), praticamente todos os pa�ses do mundo, desenvolvidos ou n�o, utilizam �gua subterr�nea para suprir suas necessidades. Pa�ses como a Alemanha, �ustria, B�lgica, Dinamarca, Fran�a, Holanda, Hungria, It�lia, Marrocos, R�ssia e Su��a atendem de 70 a 90% da demanda para o abastecimento p�blico (OECD, 1989 citado por REBOU�AS et al., 2002). Outros utilizam a �gua subterr�nea no atendimento total (Dinamarca, Ar�bia Saudita, Malta) ou apenas como suplementa��o do abastecimento p�blico e de atividades como irriga��o, produ��o de energia, turismo, ind�stria, etc. (PIMENTEL, 1999). Na Austr�lia, 60% do pa�s depende totalmente do manancial subterr�neo e em mais de 20% o seu uso � preponderante (HARBERMEHL, 1985 citado por REBOU�AS et al., 2002). A cidade do M�xico atende cerca de 80% da demanda dos quase 20 milh�es de habitantes (GARDU�O e ARREGUIN-CORTES, 1994 citado por REBOU�AS et al., 2002).

A UNESCO estimava, em 1992, que mais de 50% da popula��o mundial poderia estar sendo abastecida pelo manancial subterr�neo (REBOU�AS et al., 2002).

Regi�es �ridas e semi-�ridas (Nordeste do Brasil e a Austr�lia), e certas ilhas, t�m a �gua subterr�nea como o �nico recurso h�drico dispon�vel para uso humano. At� regi�es des�rticas, como a L�bia, t�m a demanda de �gua em cidades e na irriga��o atendida por po�os tubulares perfurados em pleno deserto do Saara.

Estima-se em 300 milh�es o n�mero de po�os perfurados no mundo nas tr�s �ltimas d�cadas (UNESCO, 1992 citado por REBOU�AS et al., 2002), 100 milh�es dos quais nos Estados Unidos, onde s�o perfurados cerca de 400 mil po�os por ano, com uma extra��o de mais de 120 bilh�es de m3/ano, atendendo mais de 70% do abastecimento p�blico e das ind�strias.

Na �frica do Norte, China, �ndia, Estados Unidos e Ar�bia Saudita, cerca de 160 bilh�es de toneladas de �gua s�o retirados por ano e n�o se renovam. Essa �gua daria para produzir comida suficiente para 480 milh�es de pessoas por ano (RODRIGUES, 2000).

A expans�o das terras agr�colas vem provocando tamb�m o uso intensivo das �guas subterr�neas, al�m do uso habitual das fontes superficiais. Existem diversos exemplos no mundo de esgotamento de aq��feros por sobrexplora��o para uso em irriga��o (CEPIS, 2000). Avalia-se que existam no mundo 270 milh�es de hectares irrigados com �gua subterr�nea, 13 milh�es desses nos Estados Unidos e 31 milh�es na �ndia (PROASNE, 2003).

V�rios n�cleos urbanos no Brasil abastecem-se de �gua subterr�nea de forma exclusiva ou complementar, constituindo o recurso mais importante de �gua doce. Ind�strias, propriedades rurais, escolas, hospitais e outros estabelecimentos utilizam, com freq��ncia, �gua de po�os profundos. O maior volume de �gua ainda �, todavia, destinado ao abastecimento p�blico. Importantes cidades do pa�s dependem integral ou parcialmente da �gua subterr�nea para abastecimento, como, por exemplo: Ribeir�o Preto (SP), Mossor� e Natal (RN), Macei� (AL), Regi�o Metropolitana de Recife (PE) e Barreiras (BA). No Maranh�o, mais de 70% das cidades s�o abastecidas por �guas subterr�neas, e em S�o Paulo e no Piau� esse percentual alcan�a 80%. As �guas subterr�neas termais estimulam o turismo em cidades como Caldas Novas em Goi�s, Arax� e Po�os de Caldas em Minas Gerais. Al�m disso, atualmente, a �gua mineral � amplamente usada pelas popula��es dos centros urbanos, por sua qualidade (MMA, 2003). Mesmo em casos de elevado teor salino, como nas �reas de ocorr�ncia dos sistemas aq��feros fissurados do semi-�rido nordestino, as �guas subterr�neas constituem, n�o raro, a �nica fonte de suprimento permanente (LEAL, 1999).

Segundo o Censo de 2000 (IBGE, 2003), aproximadamente 61 % da popula��o brasileira � abastecida, para fins dom�sticos, com �gua subterr�nea, sendo que 6% se auto-abastece das �guas de po�os rasos, 12% de nascentes ou fontes e 43% de po�os profundos. Portanto, o n�mero de po�os tubulares em opera��o no Brasil est� estimado em cerca de 300.000, com um n�mero anual de perfura��es de aproximadamente 10.000, o que pode ser considerado irris�rio diante das necessidades de �gua pot�vel das popula��es e se comparado com outros pa�ses (MMA, 2003). Os estados com maior n�mero de po�os perfurados s�o: S�o Paulo (40.000), Bahia, Rio Grande do Sul, Cear� e Piau� (LEAL, 1999).


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2. Aq��feros

Aq��fero � uma forma��o geol�gica do subsolo, constitu�da por rochas perme�veis, que armazena �gua em seus poros ou fraturas. Outro conceito refere-se a aq��fero como sendo, somente, o material geol�gico capaz de servir de deposit�rio e de transmissor da �gua a� armazenada. Assim, uma litologia s� ser� aq��fera se, al�m de ter seus poros saturados (cheios) de �gua, permitir a f�cil transmiss�o da �gua armazenada.

Um aq��fero pode ter extens�o de poucos quil�metros quadrados a milhares de quil�metros quadrados, ou pode, tamb�m, apresentar espessuras de poucos metros a centenas de metros (REBOU�AS et al., 2002). Etimologicamente, aq��fero significa: aqui = �gua; fero = transfere; ou do grego, suporte de �gua (HEINEN et al., 2003).

Os aq��feros mais importantes do mundo, seja por extens�o ou pela transnacionalidade, s�o: o Guarani - Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai (1,2 milh�es de km2); o Arenito N�bia �L�bia, Egito, Chade, Sud�o (2 milh�es de km2); o KalaharijKaroo -Nam�bia, Bostwana, �frica do Sul (135 mil km2); o Digitalwaterway vechte - Alemanha, Holanda (7,5 mil km2); o Slovak�Karst-Aggtelek -Rep�blica Eslov�quia e Hungria); o Praded - Rep�blica Checa e Pol�nia (3,3 mil km2) (UNESCO, 2001); a Grande Bacia Artesiana (1,7 milh�es km2) e a Bacia Murray (297 mil km2), ambos na Austr�lia. Em um recente levantamento, a UNECE da Europa constatou que existem mais de 100 aq��feros transnacionais naquele continente (ALMASSY e BUZAS, 1999 citado em UNESCO, 2001).


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2.1. Tipos de Aq��feros

A litologia do aq��fero, ou seja, a sua constitui��o geol�gica (porosidade/permeabi�lidade intergranular ou de fissuras) � que ir� determinar a velocidade da �gua em seu meio, a qualidade da �gua e a sua qualidade como reservat�rio. Essa litologia � decorrente da sua origem geol�gica, que pode ser fluvial, lacustre, e�lica, glacial e aluvial (rochas sedimentares), vulc�nica (rochas fraturadas) e metam�rfica (rochas calc�reas), determinando os diferentes tipos de aq��feros.

Quanto � porosidade, existem tr�s tipos aq��feros (figura 2.2):

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FIGURA 2.2
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004)
FIGURA 2.2 - TIPOS DE AQ��FEROS QUANTO � POROSIDADE

- Aq��fero poroso ou sedimentar - � aquele formado por rochas sedimentares consolidadas, sedimentos inconsolidados ou solos arenosos, onde a circula��o da �gua se faz nos poros formados entre os gr�os de areia, silte e argila de granula��o variada. Constituem os mais importantes aq��feros, pelo grande volume de �gua que armazenam, e por sua ocorr�ncia em grandes �reas. Esses aq��feros ocorrem nas bacias sedimentares e em todas as v�rzeas onde se acumularam sedimentos arenosos. Uma particularidade desse tipo de aq��fero � sua porosidade quase sempre homogeneamente distribu�da, permitindo que a �gua flua para qualquer dire��o, em fun��o t�o somente dos diferenciais de press�o hidrost�tica ali existente. Essa propriedade � conhecida como isotropia.
- Aq��fero fraturado ou fissural - formado por rochas �gneas, metam�rficas ou cristalinas, duras e maci�as, onde a circula��o da �gua se faz nas fraturas, fendas e falhas, abertas devido ao movimento tect�nico. Ex.: basalto, granitos, gabros, fil�es de quartzo, etc. (SMA, 2003). A capacidade dessas rochas de acumularem �gua est� relacionada � quantidade de fraturas, suas aberturas e intercomunica��o, permitindo a infiltra��o e fluxo da �gua. Po�os perfurados nessas rochas fornecem poucos metros c�bicos de �gua por hora, sendo que a possibilidade de se ter um po�o produtivo depender�, t�o somente, desse po�o interceptar fraturas capazes de conduzir a �gua. Nesses aq��feros, a �gua s� pode fluir onde houverem fraturas, que, quase sempre, tendem a ter orienta��es preferenciais. S�o ditos, portanto, aq��feros anisotr�picos. Um caso particular de aq��fero fraturado � representado pelos derrames de rochas vulc�nicas bas�lticas, das grandes bacias sedimentares brasileiras.
- Aq��fero c�rstico (Karst) - formado em rochas calc�reas ou carbon�ticas, onde a circula��o da �gua se faz nas fraturas e outras descontinuidades (di�clases) que resultaram da dissolu��o do carbonato pela �gua. Essas aberturas podem atingir grandes dimens�es, criando, nesse caso, verdadeiros rios subterr�neos. S�o aq��feros heterog�neos, descont�nuos, com �guas duras, com fluxo em canais. As rochas s�o os calc�rios, dolomitos e m�rmores.

Quanto � superf�cie superior (segundo a press�o da �gua), os aq��feros podem ser de dois tipos (figura 2.3):

BERJAYA

FIGURA 2.3
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004), adaptado de IGM (2001)
FIGURA 2.3 - TIPOS DE AQ��FEROS QUANTO � PRESS�O
FONTE: Adaptado de IGM (2001)

- Aq��fero livre ou fre�tico - � aquele constitu�do por uma forma��o geol�gica perme�vel e superficial, totalmente aflorante em toda a sua extens�o, e limitado na base por uma camada imperme�vel. A superf�cie superior da zona saturada est� em equil�brio com a press�o atmosf�rica, com a qual se comunica livremente. Os aq��feros livres t�m a chamada recarga direta. Em aq��feros livres o n�vel da �gua varia segundo a quantidade de chuva. S�o os aq��feros mais comuns e mais explorados pela popula��o. S�o tamb�m os que apresentam maiores problemas de contamina��o.
- Aq��fero confinado ou artesiano - � aquele constitu�do por uma forma��o geol�gica perme�vel, confinada entre duas camadas imperme�veis ou semiperme�veis. A press�o da �gua no topo da zona saturada � maior do que a press�o atmosf�rica naquele ponto, o que faz com que a �gua ascenda no po�o para al�m da zona aq��fera. O seu reabastecimento ou recarga, atrav�s das chuvas, d�-se preferencialmente nos locais onde a forma��o aflora � superf�cie. Neles, o n�vel da �gua encontra-se sob press�o, podendo causar artesianismo nos po�os que captam suas �guas. Os aq��feros confinados t�m a chamada recarga indireta e quase sempre est�o em locais onde ocorrem rochas sedimentares profundas (bacias sedimentares).

O aq��fero semi-confinado que � aquele que se encontra limitado na base, no topo, ou em ambos, por camadas cuja permeabilidade � menor do que a do aq��fero em si. O fluxo preferencial da �gua se d� ao longo da camada aq��fera. Secundariamente, esse fluxo se d� atrav�s das camadas semi-confinantes, � medida que haja uma diferen�a de press�o hidrost�tica entre a camada aq��fera e as camadas subjacentes ou sobrejacentes. Em certas circunst�ncias, um aq��fero livre poder� ser abastecido por �gua oriunda de camadas semi�confinadas subjacentes, ou vice-versa. Zonas de fraturas ou falhas geol�gicas poder�o, tamb�m, constituir-se em pontos de fuga ou recarga da �gua da camada confinada.

Em uma perfura��o de um aq��fero confinado, a �gua subir� acima do teto do aq��fero, devido � press�o exercida pelo peso das camadas confinantes sobrejacentes. A altura a que a �gua sobe chama-se n�vel potenciom�trico e o furo � artesiano. Numa perfura��o de um aq��fero livre, o n�vel da �gua n�o varia porque corresponde ao n�vel da �gua no aq��fero, isto �, a �gua est� � mesma press�o que a press�o atmosf�rica. O n�vel da �gua � designado ent�o de n�vel fre�tico (figura 2.4.).

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FIGURA 2.4
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004)
FIGURA 2.4 - REPRESENTA��O ESQUEM�TICA DO N�VEL DE PRESS�O NOS AQ��FEROS


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2.2 �reas de Reabastecimento e Descarga do Aq��fero

Um aq��fero apresenta uma reserva permanente de �gua e uma reserva ativa ou reguladora que s�o continuamente abastecidas atrav�s da infiltra��o da chuva e de outras fontes subterr�neas. As reservas reguladoras ou ativas correspondem ao escoamento de base dos rios.

A �rea por onde ocorre o abastecimento do aq��fero � chamada zona de recarga, que pode ser direta ou indireta. O escoamento de parte da �gua do aq��fero ocorre na zona de descarga (ANA, 2001).

Zona de recarga direta: � aquela onde as �guas da chuva se infiltram diretamente no aq��fero, atrav�s de suas �reas de afloramento e fissuras de rochas sobrejacentes. Sendo assim, a recarga sempre � direta nos aq��feros livres, ocorrendo em toda a superf�cie acima do len�ol fre�tico. Nos aq��feros confinados, o reabastecimento ocorre preferencialmente nos locais onde a forma��o portadora de �gua aflora � superf�cie.

Zona de recarga indireta: s�o aquelas onde o reabastecimento do aq��fero se d� a partir da drenagem (filtra��o vertical) superficial das �guas e do fluxo subterr�neo indireto, ao longo do pacote confinante sobrejacente, nas �reas onde a carga potenciom�trica favorece os fluxos descendentes.

Zona de descarga: � aquela por onde as �guas emergem do sistema, alimentando rios e jorrando com press�o por po�os artesianos.

As maiores taxas de recarga ocorrem nas regi�es planas, bem arborizadas, e nos aq��feros livres. Nas regi�es de relevo acidentado, sem cobertura vegetal, sujeitas a pr�ticas de uso e ocupa��o que favorecem as enxurradas, a recarga ocorre mais lentamente e de maneira limitada (REBOU�AS et al., 2002).

Sob condi��es naturais, apenas uma parcela dessas reservas reguladoras � pass�vel de explora��o, constituindo o potencial ou reserva explot�veL Em geral, esta parcela � calculada entre 25% e 50% das reservas reguladoras (REBOU�AS, 1992 citado em ANA, 2001). Esse volume de explota��o pode aumentar em fun��o das condi��es de ocorr�ncia e recarga, bem como dos meios t�cnicos e financeiros dispon�veis, considerando que a soma das extra��es com as descargas naturais do aq��fero para rios e oceano, n�o pode ser superior � recarga natural do aq��fero.


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2.3 Fun��es dos Aq��feros

Al�m de suprir �gua suficiente para manter os cursos de �guas superficiais est�veis (fun��o de produ��o), os aq��feros tamb�m ajudam a evitar seu transbordamento, absorvendo o excesso da �gua da chuva intensa (fun��o de regulariza��o). Na �sia tropical, onde a esta��o quente pode durar at� 9 meses e onde as chuvas de mon��o podem ser bastante intensas, esse duplo servi�o hidrol�gico � crucial (SAMPAT,2001).

Segundo o mesmo autor, os aq��feros tamb�m proporcionam uma forma de armazenar �gua doce sem muita perda pela evapora��o - outro servi�o particularmente valioso em regi�es quentes, propensas � seca, onde essas perdas podem ser extremamente altas. Na �frica, por exemplo, em m�dia, um ter�o da �gua extra�da de reservat�rios todo ano perde-se pela evapora��o. Os p�ntanos, habitats importantes para as aves, peixes e outras formas de vida silvestre, nutrem-se, normalmente, de �gua subterr�nea, onde o len�ol fre�tico aflora � superf�cie em ritmo constante. Onde h� muita exaust�o de �gua subterr�nea, o resultado �, freq�entemente, leitos secos de rios e p�ntanos ressecados.

Portanto, os aq��feros podem cumprir as seguintes fun��es (REBOU�AS et al., 2002):

- Fun��o de produ��o: corresponde � sua fun��o mais tradicional de produ��o de �gua para o consumo humano, industrial ou irriga��o.
- Fun��o de estocagem e regulariza��o: utiliza��o do aq��fero para estocar excedentes de �gua que ocorrem durante as enchentes dos rios, correspondentes � capacidade m�xima das esta��es de tratamento durante os per�odos de demanda baixa, ou referentes ao reuso de efluentes dom�sticos e/ ou industriais.
- Fun��o de filtro: corresponde � utiliza��o da capacidade filtrante e de depura��o bio-geoqu�mica do maci�o natural perme�vel. Para isso, s�o implantados po�os a dist�ncias adequadas de rios perenes, lagoas, lagos ou reservat�rios, para extrair �gua naturalmente clarificada e purificada, reduzindo substancialmente os custos dos processos convencionais de tratamento.
- Fun��o ambiental: a hidrogeologia evoluiu de enfoque naturalista tradicional (d�cada de 40) para hidr�ulico quantitativo at� a d�cada de 60. A partir da�, desenvolveu-�se a hidroqu�mica, em raz�o da utiliza��o intensa de insumos qu�micos nas �reas urbanas, ind�strias e nas atividades agr�colas. Na d�cada de 80 surgiu a necessidade de uma abordagem multidisciplinar integrada da geohidrologia ambiental.
- Fun��o transporte: o aq��fero � utilizado como um sistema de transporte de �gua entre zonas de recarga artificial ou natural e �reas de extra��o excessiva.
- Fun��o estrat�gica: a �gua contida em um aq��fero foi acumulada durante muitos anos ou at� s�culos e � uma reserva estrat�gica para �pocas de pouca ou nenhuma chuva. O gerenciamento integrado das �guas superficiais e subterr�neas de �reas metropolitanas, inclusive mediante pr�ticas de recarga artificial com excedentes da capacidade das esta��es de tratamento, os quais ocorrem durante os per�odos de menor consumo, com infiltra��o de �guas pluviais e esgotos tratados, originam grandes volumes h�dricos. Esses poder�o ser bombeados para atender o consumo essencial nos picos sazonais de demanda, nos per�odos de escassez relativa e em situa��es de emerg�ncia resultantes de acidentes naturais, como avalanches, enchentes e outros tipos de acidentes que reduzem a capacidade do sistema b�sico de �gua da metr�pole em quest�o.
- Fun��o energ�tica: utiliza��o de �gua subterr�nea aqueci da pelo gradiente geotermal como fonte de energia el�trica ou termal.
- Fun��o mantenedora: mant�m o fluxo de base dos rios (WREGE,1997).


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2.4 Ocorr�ncias no Brasil

A combina��o das estruturas geol�gicas com fatores geomorfol�gicos e clim�ticos do Brasil resultou na configura��o de 10 prov�ncias hidrogeol�gicas (mapa 2.1), que s�o regi�es com sistemas aq��feros com condi��es semelhantes de armazenamento, circula��o e qualidade de �gua (MMA, 2003). Essas prov�ncias podem estar divididas em subprov�ncias.

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FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004), adaptado de MMA(2003)
MAPA 2.1 - REPRESENTA��O ESQUEM�TICA DAS PROV�NCIAS HIDROGEOL�GICAS DO BRASIL
FONTE: Adaptado de ONPMICPRM (1983), citado em MMA (2003)

Sendo assim, as �guas subterr�neas no Brasil ocupam diferentes tipos de reservat�rios, desde as zonas fraturadas do embasamento cristalino (escudo) at� os dep�sitos sedimentares cenoz�icos (bacias sedimentares), reunindo-se em tr�s sistemas aq��feros: porosos, fissurados e c�rsticos de acordo com a tabela 2.1 (LEAL, 1999). Os escudos s�o formados por rochas magm�ticas e metam�rficas e correspondem aos primeiros n�cleos de rochas emersas que afloraram desde o in�cio da forma��o da crosta terrestre. As bacias sedimentares s�o depress�es preenchidas, ao longo do tempo, por detritos ou sedimentos provenientes de �reas pr�ximas ou distantes que normalmente est�o dispostas de forma horizontal (COELHO, 1996).

TABELA 2.1 - PROV�NCIAS HIDROGEOL�GICAS E SEUS RESPECTIVOS SISTEMAS AO��FEROS
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TABELA 2.1
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004), adaptado de MMA, 2003
FONTE: Adapatado de Rebou�as (1996) e de Zoby e Matos (2002) citado em MMA (2003)

Os sistemas aq��feros brasileiros (mapa 2.2) armazenam os importantes excedentes h�dricos, que alimentam uma das mais extensas redes de rios perenes do mundo, com exce��o dos rios tempor�rios, que nascem nos dom�nios das rochas do embasamento geol�gico subaflorante do semi-�rido da regi�o Nordeste (REBOU�AS et al., 2002), e desempenham, ainda, importante papel socioecon�mico, devido � sua potencialidade h�drica (MMA,2003).

Sistemas porosos: formados por rochas sedimentares que ocupam 42% (3,6 milh�es de km2) da �rea total do pa�s e compreendem cinco prov�ncias hidrogeol�gicas (bacias sedimentares): Amazonas, Paran�, Parna�ba-Maranh�o, Centro-Oeste e Costeira. A estrutura��o geol�gica, com altern�ncia de camadas perme�veis e imperme�veis, assegura lhes condi��o de artesianismo. As Bacias do Paran�, Amazonas, Parna�ba e a Subprov�ncia Potiguar-Recife destacam-se pela extens�o e potencialidade (ABAS, 2003).

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MAPA 2.2
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004), adaptado de MMA(2003)
MAPA 2.2 � REPRESENTA��O ESQUEM�TICA DOS PRINCIPAIS AQ��FEROS BRASILEIROS
Fonte: Adaptado de MMA (2003)

- As Prov�ncias Amazonas e Parna�ba posicionam-se como a segunda e terceira do Brasil, respectivamente, em volume de �gua armazenado. A pouca evapora��o da Prov�ncia Amazonas, motivada pela elevada umidade do ar e a cobertura florestal, contribui tamb�m para uma maior absor��o das �guas superficiais pelas suas rochas.
- A Prov�ncia Centro-Oeste compreende as Subprov�ncias Ilha do Bananal, Alto Xingu, Chapada dos Parecis e Alto Paraguai, localizadas na regi�o Centro-Oeste do pa�s, cujos principais aq��feros s�o o Aquidauana, Parecis e Botucatu.
- A Prov�ncia Costeira abrange praticamente toda zona costeira do Brasil, excetuando�se as por��es dos Estados do Paran�, S�o Paulo, sul do Rio de Janeiro, norte do Par�, Ilha de Maraj� e sudeste do Amap�. Essa prov�ncia apresenta-se bastante diversifica da, por abranger v�rias bacias sedimentares costeiras, de diferentes constitui��es e idades geol�gicas. As suas subprov�ncias s�o: Alagoas/Sergipe; Amap�; Barreirinhas; Cear�/Piau�; Pernambuco; Potiguar; Rec�ncavo; Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Os aq��feros mais importantes s�o os arenitos cret�ceos e terci�rios nas Bacias Potiguar, Alagoas e Sergipe. Os sistemas aq��feros Dunas e Barreiras s�o utilizados para abastecimento humano nos Estados do Cear�, Piau� e Rio Grande do Norte. O Aq��fero A�u � intensamente explotado para atender ao abastecimento p�blico, industrial e em projetos de irriga��o (fruticultura), na regi�o de Mossor� (RN). O Aq��fero Beberibe � explotado na Regi�o Metropolitana do Recife, por meio de 2.000 po�os que atendem condom�nios residenciais, hospitais e escolas.
- A Prov�ncia S�o Francisco participa desse sistema com a parte granular-aren�tica das Forma��es Urucuia-Areado.
- A Bacia Sedimentar do Paran� [1] constitui, sem d�vida, a mais importante prov�ncia hidrogeol�gica do Brasil, com cerca de 45% das reservas de �gua subterr�nea do territ�rio nacional, em fun��o da sua aptid�o em armazenar e liberar grandes quantidades de �gua e pelo fato de se encontrar nas proximidades das regi�es relativamente mais povoadas e economicamente mais desenvolvidas do pa�s, al�m de possuir o maior volume de �gua doce em sub-superf�cie, com reserva estimada de 50.400 km3 de �gua (mapa 2.3).
- Localizada no centro-leste da Am�rica do Sul, com uma superf�cie total de aproximadamente 1.600.000 km2 � considerada tamb�m a segunda bacia mais importante da Am�rica do Sul, constituindo-se em uma fossa muito profunda, que alcan�a de 6.000 a 7.000 m, ao longo do seu eixo central que se encontra abaixo do Rio Paran�. Est� composta por uma impressionante seq��ncia de rochas sedimentares, que v�o desde o Paleoz�ico at� o Cenoz�ico (tri�ssicas�-jur�ssicas-cret�ceas) (DELGADO e ANT�N, 2002). A por��o que se encontra em territ�rio brasileiro perfaz 1.000.000 km2 e tem uma espessura m�xima de 6.000 m. As forma��es paleoz�icas apresentam baixa permeabilidade e representam sistemas aq��feros pouco produtivos, n�o sendo muito satisfat�rios com respeito � qualidade de suas �guas. Entre os aq��feros paleoz�icos mais importantes encontram-se os arenitos Furnas, Aquiduana, Itarar� e Rio Bonito. Muito mais importantes s�o as forma��es tri�ssicas-jur�ssicas que se encontram separadas por um pacote bas�ltico de grande extens�o lateral, formando um aq��fero de dimens�es continentais, o Guarani, composto pelas Forma��es Botucatu e Piramb�ia, e que constitui um dos principais sistemas aq��feros da mesma.
- A cobertura de basaltos constitui-se num aq��fero fraturado - Forma��o Serra Geral (com mais de 1.500 m de espessura) - que cobre o Aq��fero Guarani, de forma a reduzir sua �rea de exposi��o a apenas 10% da �rea total de distribui��o geogr�fica sub-superficial. A sua extens�o original estimada em 4.000.000 km2 acha-se reduzida a 1.000.000 km2, aflorando de forma praticamente cont�nua, sobre cerca de 56% dessa �rea, e, no restante, sendo recoberta pelos sedimentos dos Grupos Bauru/Caiu� (o primeiro localizado no Estado de S�o Paulo e o segundo, no Estado do Paran�). A grande import�ncia econ�mica dos basaltos adv�m da reconhecida fertilidade dos solos, base de intensa explora��o agropecu�ria caracter�stica da regi�o e dos condicionamentos favor�veis (topogr�ficos e geot�cnicos) a implanta��o de hidrel�tricas. A sua import�ncia hidrogeol�gica decorre da relativa explorabilidade das suas zonas aq��feras pelos meios t�cnicos e financeiros dispon�veis. Em termos de potabilidade, as �guas dos basaltos revelam uma forte tend�ncia alcalina (pH = 5.5 e 6.5) e mineraliza��o total inferior a 300 mg/L.
- Os Grupos Bauru/ Caiu�, arenitos que cobrem cerca de 315.000 km2 da Forma��o Serra Geral, apresentam uma espessura m�dia de 100 m, que cont�m �gua geralmente de boa qualidade. Devido ao baixo custo de capta��o, esses dois aq��feros s�o intensamente explorados. Em 1999 j� existiam mais de 16.000 po�os tubulares, 2/3 dos quais captando o Aq��fero Bauru (LEAL, 1999), de modo a garantir o abastecimento dom�stico e parte das demandas de pequenas ind�strias da regi�o. Essa condi��o adv�m do fato de ser um sistema livre, local e ocasionalmente fre�tico e � submetido a uma abundante recarga. Contudo, essa condi��o faz com que esse manancial seja potencialmente muito vulner�vel aos agentes polui dores provenientes das atividades agro�industriais, principalmente. As seq��ncias arenosas e argilosas alternadas do Grupo Bauru no Brasil, depositadas sobre o pacote de rochas vulc�nicas (basaltos) durante o cret�ceo superior correspondem �s Forma��es Quebrada Monardes na Argentina; Acaray no Paraguai e Mercedes-Ascencio no Uruguai, (ARA�JO et aI., 1999 citado por REBOU�AS et al., 2002a).
- Outros importantes aq��feros da Prov�ncia do Paran� s�o: Marizal, S�o Sebasti�o (com espessura de mais de 3.000 m) e Ilhas (2.500 m).

Sistemas fraturados ou fissurados: ocupam uma �rea de cerca de 4,6 milh�es de km2, correspondente a 53,8% do territ�rio nacional. Compreendem as Prov�ncias Hidrogeol�gicas dos Escudos Setentrional, Central, Oriental e Meridional. As duas primeiras prov�ncias com rochas fraturadas do embasamento apresentam razo�veis possibilidades h�dricas, devido aos altos �ndices pluviom�tricos da �rea. A Prov�ncia Oriental est� dividida em duas sub-prov�ncias (Nordeste e Sudeste). A Prov�ncia Meridional, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul � de substrato alterado. Os altos �ndices pluviom�tricos da regi�o asseguram a pereniza��o dos rios e contribuem para a recarga dos aq��feros, cujas reservas s�o, em parte, restitu�das � rede hidrogr�fica (MMA,2003).

Esse sistema apresenta reservas de �guas subterr�neas da ordem de 10.080 km3 (REBOU�AS, 1988 citado por LEAL, 1999). As �guas s�o de boa qualidade qu�mica, podendo ocorrer localmente teores de ferro acima do permitido. No dom�nio do embasamento cristalino subaflorante, como na Prov�ncia Hidrogeol�gica Escudo Oriental do Nordeste onde est� localizada a regi�o semi-�rida - h� pequena disponibilidade h�drica, devido � forma��o de rochas cristalinas. � freq�ente observar teor elevado de sais nas �guas dessa regi�o, o que restringe ou impossibilita seu uso (MMA, 2003). Nesse dom�nio subaflorante � que nascem os rios tempor�rios.

Sistemas c�rsticos: formados pelo sistema c�rstico-fissural da Prov�ncia Hidrogeol�gica do S�o Francisco, e pela Forma��o Janda�ra (subprov�ncia Potiguar). Inclui os dom�nios do calc�rio do Grupo Bambu� com mais de 350.000 km2 nos Estados da Bahia, Goi�s e Minas Gerais e a Forma��o Caatinga. As profundidades do desenvolvimento c�rstico s�o muito vari�veis, com m�dia em torno de 150 m. Enquanto o Bambu� pode fornecer vaz�es superiores a 200 m3jh, o Janda�ra, apresenta vaz�es muito baixas (geralmente inferiores a 3,5 m3jh). Outro importante aq��fero c�rstico � o Pirabas com profundidade m�dia de 220 m e vaz�o de 135 m3jh (MMA, 2003) e a Forma��o Capiru do Grupo A�ungui, com vaz�o m�dia 180 m3jh e profundidade m�dia de 60 m.

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MAPA 2.3
FONTE: BOSCARDIN BORGHETTI et al. (2004), adaptado de Paulipetro(1981)
MAPA 2.3 � MAPA GEOL�GICO SIMPLIFICADO DA BACIA DO PARAN�
Fonte: Modificado de Paulipetro (1981)


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2.5 Impactos Ambientais sobre os Aq��feros

O manancial subterr�neo acha-se relativamente melhor protegido dos agentes de contamina��o que afetam rapidamente a qualidade das �guas dos rios, na medida em que ocorre sob uma zona n�o saturada (aq��fero livre), ou est� protegido por uma camada relativamente pouco perme�vel (aq��fero confinado) (REBOU�AS, 1996). Mesmo assim, est� sujeito a impactos ambientais (CPRM, 2002), tais como:

- Contamina��o: a vulnerabilidade de um aq��fero refere-se ao seu grau de prote��o natural �s poss�veis amea�as de contamina��o potencial, e depende das caracter�sticas litol�gicas e hidrogeol�gicas dos estratos que o separam da fonte de contamina��o (geralmente superficial), e dos gradientes hidr�ulicos que determinam os fluxos e o transporte das subst�ncias contaminantes atrav�s dos sucessivos estratos e dentro do aq��fero (CALCAGNO, 2001). A contamina��o ocorre pela ocupa��o inadequada de uma �rea que n�o considera a sua vulnerabilidade, ou seja, a capacidade do solo em degradar as subst�ncias t�xicas introduzidas no ambiente, principalmente na zona de recarga dos aq��feros. A contamina��o pode se dar por fossas s�pticas e negras; infiltra��o de efluentes industriais; fugas da rede de esgoto e galerias de �guas pluviais; vazamentos de postos de servi�os; por aterros sanit�rios e lix�es; uso indevido de fertilizantes nitrogenados; dep�sitos de lixo pr�ximos dos po�os mal constru�dos ou abandonados. Entretanto, a mais perigosa, � a contamina��o provoca da por produtos qu�micos, que acarretam danos muitas vezes irrevers�veis, causando enormes preju�zos, � medida que impossibilita o uso das �guas subterr�neas em grandes �reas (MUSEU DO UNA, 2003).
- Superexplota��o ou superexplora��o (sobreexplota��o ou sobreexplora��o) de aq��feros: � a extra��o de �gua subterr�nea que ultrapassa os limites de produ��o das reservas reguladoras ou ativas do aq��fero, iniciando um processo de rebaixamento do n�vel potenciom�trico que ir� provocar danos ao meio ambiente ou para o pr�prio recurso. Portanto, a �gua subterr�nea pode ser retirada de forma permanente e em volumes constantes, por muitos anos, desde que esteja condicionada a estudos pr�vios do volume armazenado no subsolo e das condi��es clim�ticas e geol�gicas de reposi��o (DRM, 2003).

Al�m da exaust�o do aq��fero, a superexplota��o pode provocar:

- indu��o de �gua contaminada causada pelo deslocamento da pluma de polui��o para locais do aq��fero;
- subsid�ncia de solos, definida como "movimento para baixo ou afundamento do solo causado pela perda de suporte subjacente", provocando uma compacta��o diferenciada do terreno que leva ao colapso das constru��es civis;
- avan�o da cunha salina definida como o avan�o da �gua do mar em subsuperf�cie sobre a �gua doce, salinizando o aq��fero, em �reas litor�neas (MELO et aL, 1996, citado em CPRM, 2002). Sem d�vida, a maioria dos aq��feros costeiros s�o suscet�veis � intrus�o salina, que geralmente resulta da sobreexplota��o em po�os muito pr�ximos do mar. Algumas das cidades que tiveram problemas de saliniza��o de seus po�os s�o, entre outras: Lima (Peru); Santa Marta (Colombia); Coro (Venezuela); Rio Grande e Natal (Brasil) e Mar deI Plata (Argentina). No caso de Buenos Aires-La Plata, o problema de saliniza��o se deve ao conte�do de sais de uma forma��o costeira (DELGADO e ANT�N, 2002). O crescimento desordenado do n�mero de po�os tem provocado significativos rebaixamentos do n�vel de �gua e problemas de intrus�o salina em Boa Viagem, no Recife (MMA,2003).

O desenvolvimento de poderosas bombas el�tricas e a diesel permitiu a capacidade de extrair �gua dos aq��feros com maior rapidez do que � substitu�da pela chuva, sem considerar, ainda, que os aq��feros t�m diferentes taxas de recarga, alguns com recupera��o mais lenta que outros (CEPIS, 2000).

Calcula-se que a extra��o anual dos aq��feros � de 160 bilh�es de metros c�bicos (160 trilh�es de litros) no mundo (POSTEL, 1999 citado por BROWN, 2003).

Em quase todos os continentes, muitos dos principais aq��feros est�o sendo exauridos com uma rapidez maior do que sua taxa natural de recarga. A mais severa exaust�o de �gua subterr�nea ocorre na �ndia, China, Estados Unidos, Norte da �frica e Oriente M�dio, causando um d�ficit h�drico mundial de cerca de 200 bilh�es de metros c�bicos por ano (SAMPAT,2001).

Existem diversos exemplos no mundo de esgotamento de aq��feros por superexplota��o para uso em irriga��o. O esgotamento das �guas subterr�neas j� provocou o afundamento dos solos situados sobre os aq��feros na cidade do M�xico e na Calif�rnia, Estados Unidos, assim como em outros pa�ses (CEPIS, 2000).

No Brasil, como n�o h� legisla��o espec�fica que discipline o uso das �guas subterr�neas e co�ba a abertura de novos po�os, essa franquia de ordem legal tem contribu�do para problemas de superexplota��o (BROWN, 2003). Outro fator que est� provocando o comprometimento da qualidade e disponibilidade h�drica dos aq��feros reside na ocupa��o inadequada de suas �reas de recarga (CAVALCANTE e SABADIA, 1992, citado em CPRM, 2002).

Nos Estados Unidos, segundo um estudo da BBC Mundo (2003), verificou-se que o maior aq��fero desse pa�s, o Ogallala, est� empobrecendo a uma taxa de 12 bilh�es de m3 ao ano. A redu��o total chega a uns 325 bilh�es de m3, um volume que iguala o fluxo anual dos 18 rios do estado do Colorado. O Ogallala se estende do Texas a Dakota do Sul e suas �guas alimentam um quinto das terras irrigadas dos Estados Unidos. Muitos fazendeiros nas pradarias altas est�o abandonando a agricultura irrigada ao se conscientizarem das conseq��ncias de um bombeamento excessivo e de que a �gua n�o � um recurso inesgot�vel.

A utiliza��o de po�os, fontes e vertentes deve ter a orienta��o de um profissional habilitado nessa �rea, de modo que o seu uso n�o comprometa o uso futuro desses recursos (seja por uma poss�vel contamina��o ou a explora��o de uma vaz�o superior � admiss�vel), e nem exponha a sa�de da popula��o abastecida a poss�veis doen�as de origem ou veicula��o h�drica, devido � utiliza��o de mananciais inadequados ou contaminados. Em suma, a compatibiliza��o do uso dessa importante alternativa estrat�gica de abastecimento com as leis naturais que governam a sua ocorr�ncia e reposi��o, al�m de proteger as �reas de recarga de poss�veis contamina��es poder� garantir a sua preserva��o e uso potencial pelas gera��es futuras (SILVA, 2003). Al�m disso, conhecer a disponibilidade dos sistemas aq��feros e a qualidade de suas �guas � primordial ao estabelecimento de pol�tica de gest�o das �guas subterr�neas (LEAL, 1999).

[1] 1 A Bacia Sedimentar do Paran� ocorre nos quatro pa�ses da �rea de abrang�ncia do Aq��fero Guarani e � exatamente onde se localiza este aq��fero.

Fonte: Livro "O Aq��fero Guarani" de autoria de N�dia Rita Boscardin Borguetti, Jos� Roberto Borghetti e Ernani Francisco da Rosa Filho - website: www.oaquiferoguarani.com.br

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