Scheelita
A scheelita ou scheelite é um mineral de gênese predominantemente metamórfica e hidrotermal, composto quimicamente por tungstato de cálcio (CaWO4), sendo uma das principais fontes do elemento tungstênio.[1]
O mineral foi descrito pela primeira vez em 1751 e recebeu seu nome em homenagem ao químico sueco Carl Wilhelm Scheele, que identificou o tungstênio como um novo elemento químico no século XVIII.[2]

Propriedades cristalográficas e físicas
[editar | editar código]A scheelita cristaliza no sistema tetragonal, apresentando cristais frequentemente bem formados, com hábito bipiramidal característico.[1] É um mineral relativamente pesado devido ao elevado teor de tungstênio em sua composição.
| Propriedade | Descrição |
|---|---|
| Sistema cristalino | Tetragonal |
| Dureza (Mohs) | 4,5–5,0 |
| Peso específico | 5,9–6,1 |
| Clivagem | Distinta segundo {101} |
| Fratura | Irregular a subconchoidal |
| Hábito cristalino | Bipiramidal, prismático, tabular, granular e reniforme |
| Cor | Branco, amarelo, cinzento, verde, avermelhado, castanho |
Entre as propriedades diagnósticas destaca-se a fluorescência sob luz ultravioleta, geralmente apresentando coloração azulada ou branco-azulada, característica amplamente utilizada na prospecção mineral.[3]
Ocorrência e gênese
[editar | editar código]A scheelita ocorre comumente em skarns (rochas metamórficas formadas por metasomatismo de contato), veios hidrotermais e em pegmatitos graníticos.[1] Pode estar associada a minerais como quartzo, calcita, granada, vesuvianita, fluorita e wolframita.
Importantes depósitos de scheelita são encontrados em países como China, Rússia, Áustria e Portugal, além do Brasil, que já foi um produtor significativo de tungstênio no século XX.[4]
Importância econômica
[editar | editar código]A scheelita é uma das principais fontes de tungstênio, metal estratégico utilizado na fabricação de ligas metálicas de alta resistência, ferramentas de corte, filamentos, componentes eletrônicos e aplicações militares.[5] O tungstênio destaca-se por possuir um dos mais altos pontos de fusão entre os metais.
No Brasil, a maior produção histórica de scheelita ocorreu no estado do Rio Grande do Norte, na região do Seridó, especialmente nos municípios de Currais Novos, São João do Sabugi, São Tomé e Acari, onde cerca de 36.544 t de concentrado, com teor médio de 73% WO3, foram extraídas de um único depósito nas minas Brejuí, Oiticica, Barra Verde, Boca de Lage e Zangarelhas, desde a sua descoberta em 1942 até 1982.[6]
Além do uso metalúrgico, cristais transparentes e bem formados de scheelita podem ser lapidados e utilizados como gema, embora sua dureza relativamente baixa limite sua aplicação em joalheria.[7]
Referências
- 1 2 3 Klein, Cornelis; Dutrow, Barbara (2012). Manual de Ciência dos Minerais. Porto Alegre: Bookman. pp. 453–454
- ↑ Klein, Cornelis; Dutrow, Barbara (2007). Manual of Mineral Science. Hoboken: Wiley. 329 páginas
- ↑ Nesse, William D. (2012). Introduction to Mineralogy. Nova Iorque: Oxford University Press. 365 páginas
- ↑ Mineral Commodity Summaries 2023: Tungsten. Reston: U.S. Geological Survey. 2023
- ↑ Minerals Yearbook: Tungsten. Reston: U.S. Geological Survey. 2022
- ↑ Maranhão, Ricardo; Barreiro, Devanil S.; Silva, Amauri P. da; Lima, Fabriciano; Pires, Paulo R.R. (1986). «A Jazida de Scheelita de Brejuí/Barra Verde/Boca de Lage/Zangarelhas, Rio Grande do Norte». Principais Depósitos Minerais do Brasil. II. Brasília: DNPM/CVRD. pp. 393–407
- ↑ Schumann, Walter (2006). Gemstones of the World. Nova Iorque: Sterling Publishing. 200 páginas
