My December
| My December | ||||
|---|---|---|---|---|
| Álbum de estúdio de Kelly Clarkson | ||||
| Lançamento | 22 de junho de 2007 | |||
| Gravação | c. 2006–2007 | |||
| Estúdio(s) |
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| Gênero(s) | ||||
| Duração | 51:39 | |||
| Gravadora(s) | ||||
| Produção |
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| Cronologia de Kelly Clarkson | ||||
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| Singles de My December | ||||
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My December é o terceiro álbum de estúdio da cantora estadunidense Kelly Clarkson, lançado em 22 de junho de 2007 pela RCA Records. Produzido principalmente por David Kahne, o disco apresenta maior controle criativo de Clarkson, que pela primeira vez coescreveu todas as faixas de um dos seus álbuns. O projeto começou a ser criado durante o período de esgotamento físico e emocional da intérprete em meio à extensa agenda de divulgação do seu álbum anterior, o multiplatinado Breakaway (2004). Com letras que abordam introspectivamente temas tais como amor, desamor, autoconhecimento, raiva e superação, My December expande o som pop rock do seu antecessor, incorporando estilos como rock alternativo, folk, rock gótico, funk rock e hardcore punk.
Antes mesmo do seu lançamento, My December foi alvo de controvérsia, com a mídia especulando a respeito da relação de Clarkson com o diretor-executivo da RCA, Clive Davis, que foi acusado de pressionar a cantora a lançar um material mais comerciável. Cerca de um mês após o lançamento do álbum, a cantora publicou em sua página oficial uma carta aberta minimizando a repercussão midiática em torno da questão. Dos quatro singles retirados do projeto, apenas o primeiro, "Never Again", obteve um desempenho comercialmente positivo. Uma turnê em arenas em apoio ao álbum estava planejada para julho de 2007, mas foi cancelada devido às baixas vendas e substituída por uma série de concertos em teatros de menor escala. A My December Tour terminou acontecendo entre setembro de 2007 a abril de 2008, com datas na América do Norte, Austrália e Europa.
O direcionamento artístico de Clarkson em My December foi elogiado pela crítica, mas a produção e o conteúdo lírico do álbum foram alvo de polarização. Em comparação ao seu antecessor, My December teve vendas iniciais melhores, estreando na segunda posição nos Estados Unidos, Canadá, Irlanda e Reino Unido, além de ficar entre as dez melhores em outros seis países. No entanto, com a baixa rotatividade de "Never Again" nas rádios e sem outros singles de sucesso, os índices de vendas do álbum caíram nos meses seguintes. Ainda assim, My December recebeu cinco certificações ao redor do mundo, incluindo platina da Recording Industry Association of America (RIAA) por um milhão de cópias nos Estados Unidos.
Antecedentes e desenvolvimento
[editar | editar código]Lançado em novembro de 2004, Breakaway, o segundo álbum de estúdio de Clarkson, rompeu com a sua imagem de ex-vencedora do show de talentos American Idol.[1][2] Breakaway demonstrou maior controle criativo da cantora, que coescreveu seis faixas do alinhamento do disco, além de desenvolvê-lo com base no pop rock — em oposição ao som predominantemente R&B do seu álbum de estreia, Thankful (2003).[3] Apoiado por cinco singles exitosos, Breakaway foi elogiado pela crítica musical e se tornou o disco mais bem-sucedido comercialmente de Clarkson, com mais de 12 milhões de cópias vendidas no mundo todo, o que a elevou ao estrelato internacional.[3][4] Além disso, a cantora ganhou seus primeiros prêmios Grammy durante a cerimônia de 2006, com Melhor Álbum Vocal de Pop para Breakaway e Melhor Performance Feminina Pop para o single "Since U Been Gone".[5][6] Por conseguinte, Clive Davis, o diretor-executivo da Sony BMG (da qual a RCA Records foi subsidiária), declarou Clarkson como um dos quatro artistas mais rentáveis da Sony BMG nos anos 2000.[7]
De 2005 a 2006, como parte da divulgação de Breakaway, Clarkson embarcou em três turnês consecutivamente. A sua vida foi extremamente afetada pela extensa agenda de shows, que lhe causou tanto cansaço físico como desgaste emocional, sendo para ela "o ponto mais baixo da minha vida e minha carreira". Ao mesmo tempo, ela vivenciou um término conturbado com músico desconhecido que lhe foi infiel.[8] Durante esse período, a cantora compôs cerca de 60, descrevendo o processo como "terapia gratuita".[9] Os álbuns Jagged Little Pill, de Alanis Morissette, e Tragic Kingdom, da banda No Doubt, bem como os discos da banda irlandesa U2, refletiam para Clarkson uma "história do começo ao fim" e serviram-lhe de inspiração para compor.[10][11]
Conflito com a Sony BMG
[editar | editar código]Assim como ocorreu com Breakaway, Clarkson e Davis teriam entrado em conflito quanto à direção criativa do álbum sucessor.[12] Ao entregar My December em janeiro de 2007,[13] Davis supostamente solicitou mudanças significativas no material e chegou a considerar descartar o projeto por completo,[14] expressando preocupação de que o álbum não tivesse um sucesso garantido para as rádios — uma posição posteriormente reforçada por testes de mercado.[12] Clarkson, no entanto, resistiu à pressão para seguir um som pop mais comercial,[15] recusando-se a alterar as canções e insistindo em controle criativo total, rejeitando material que descreveu como "quase insultante".[15][16] Ela afirmou que seu foco era a música, não a fama, dizendo que "sempre quis apenas cantar e compor."[17] Representantes da gravadora inicialmente negaram relatos de tensão, enquanto Davis enfatizou que Clarkson era uma das "principais artistas da Sony-BMG" e merecia ser tratada como tal.[18]
A controvérsia ressurgiu quando Clarkson cancelou a turnê vinculada a My December devido à baixa venda de ingressos e substituiu seu empresário, Jeff Kwatinetz, por Narvel Blackstock, ex-marido de Reba McEntire.[19][15] Kwatinetz havia defendido My December perante a gravadora, argumentando que Clarkson estava "sobrecarregada por essas expectativas" de seguir um estilo musical pré-estabelecido, ao mesmo tempo em que observava que "ela se desafiou, evoluiu e cresceu."[20] Após a mudança de gestão, foi relatado que Davis ofereceu a Clarkson 10 milhões de dólares para remover cinco faixas do álbum em favor de material mais radiofônico, incluindo "Black Hole", que terminou no álbum A Little More Personal (Raw), de Lindsay Lohan.[21] Clarkson recusou a oferta,[16] revelando sobre sua relação com Davis: "Vou ser bem honesta com você: não sou fã. Eu o respeito [Clive Davis], mas não quero fazer churrasco com ele. [...] E, apesar dos rumores, ele não é nem de longe uma figura paterna."[13]
Durante sua participação no episódio final da sexta temporada do American Idol, Davis ignorou Clarkson e o então recém-lançado My December, promovendo outros participantes e elogiando compositores profissionais responsáveis pelos sucessos anteriores do programa.[22] Isso ocorreu após Clarkson recusar a pressão de sua gravadora para apresentar "Never Again" no especial beneficente Idol Gives Back por considerar a promoção inadequada.[16] Nas semanas seguintes ao lançamento de My December, Clarkson procurou amenizar as tensões, descrevendo a controvérsia com sua gravadora como "exagerada demais."[15][23] Em carta aberta em sua página oficial, ela enfatizou que via sua gravadora como uma "família muito unida", que pode discordar às vezes, mas que, no fim, funciona com base em respeito e admiração. Clarkson reconheceu Davis como um conselheiro importante e creditou a ele o apoio à sua carreira, incluindo o lançamento do álbum quando ele não era obrigado a fazê-lo. Ela também expressou arrependimento pela forma como a situação foi retratada na mídia e pediu desculpas por quaisquer mal-entendidos.[15]
Divulgação
[editar | editar código]Apresentações ao vivo
[editar | editar código]A My December Tour, a quarta turnê principal de Clarkson, foi anunciada em abril de 2007 como sua primeira turnê em grande escala em arenas na América do Norte, com 37 datas programadas de julho a setembro de 2007.[24] A turnê estava planejada para começar em Portland, Óregon, e terminar em Las Vegas, marcando uma mudança para locais maiores e apresentando um palco redesenhado destinado a criar uma atmosfera mais íntima.[25] Em junho de 2007 a turnê foi cancelada, com promotores citando vendas de ingressos abaixo do esperado,[26] embora Clarkson tenha enfatizado que a decisão foi tomada em função do momento e de sua carreira a longo prazo.[15]
Após o cancelamento, a promoção do álbum foi amplamente limitada a aparições na televisão e apresentações ao vivo selecionadas, mais notavelmente sua participação no concerto Live Earth no Giants Stadium.[19] Em 4 de setembro de 2007, uma versão revisada da My December Tour foi anunciada para o outono de 2007 na América do Norte.[27] A turnê contou com 26 datas em teatros com capacidade de 3 mil a 7 500 pessoas, em vez das arenas originalmente planejadas, começando em Verona, Nova Iorque, em 10 de outubro de 2007 e terminando em Nashville, Tennessee, em 3 de dezembro de 2007,[27] com Jon McLaughlin como ato de abertura nas datas na América do Norte.[27] Clarkson posteriormente adicionou à turnê etapas na Austrália e na Europa, programadas para começar em março de 2008 após a primeira etapa de sua turnê 2 Worlds 2 Voices com Reba McEntire, com várias datas europeias ampliadas devido à forte venda antecipada de ingressos.[28][29]
Singles
[editar | editar código]"Never Again" foi lançado como o primeiro single de My December. A canção estreou na estação de Los Angeles 102.7 KIIS-FM durante o programa On Air with Ryan Seacrest em 13 de abril de 2007. Foi lançada digitalmente pela iTunes Store em 20 de abril e disponibilizado permanentemente em 24 de abril de 2007. A canção estreou e alcançou a oitava posição na Billboard Hot 100 dos Estados Unidos, mas, ao contrário dos singles anteriores de Clarkson, enfrentou resistência por parte dos programadores de rádio. Ainda assim, registrou mais de 100 mil downloads digitais pagos em sua primeira semana e havia ultrapassado um milhão de cópias digitais até maio de 2010.[30]
O segundo single, "Sober", foi enviado às rádios em 6 de junho de 2007, apenas seis semanas após "Never Again".[31] "Sober" teve desempenho comercial fraco, alcançando a posição 93 na parada Pop 100 da Billboard — baseada na execução nas rádios pop e vendas digitais — e chegando à posição 10 na Bubbling Under Hot 100 Singles, tornando-se naquele momento o single de Clarkson com pior colocação nos Estados Unidos.[31] O baixo desempenho da faixa teve implicações significativas para a trajetória comercial do álbum, com as vendas de My December nos Estados Unidos desacelerando fortemente após seu lançamento. Consequentemente, nenhum outro single do álbum foi lançado no país.
"One Minute" conseguiu execução nas rádios na Austrália, o que levou a gravadora a lançá-lo oficialmente como o segundo single naquele país e o terceiro no geral. Um CD single foi lançado em 22 de setembro de 2007.[32] No entanto, acabou não causando grande impacto na Austrália, estreando na posição 36 antes de sair rapidamente da parada do país.[33] "Don't Waste Your Time" foi o quarto e último single de My December. A música foi lançada digitalmente em vários territórios europeus no outono de 2007, seguida por um lançamento em CD na Alemanha em dezembro de 2007 e na Austrália em fevereiro de 2008, alcançando a posição 93 em território alemão.[34]
Composição
[editar | editar código]Canções 1–7
[editar | editar código]Em "Never Again", faixa de abertura de My December, Clarkson assume uma postura desafiadora e incisiva, rejeitando qualquer tipo de redenção para o ex-parceiro em trechos como "Eu espero que o anel que você deu a ela deixe o dedo dela verde".[nota 1][35] Estruturada sobre guitarras pesadas e uma forte percussão, comparada à banda Queens of the Stone Age,[36] a canção se aproxima do rock alternativo.[37] "One Minute" surge em seguida com uma energia mais acelerada, misturando elementos do pop rock dos ano 1980[38] com sintetizadores discretos,[39] que trazem um frescor eletrônico à faixa.[40][41] A canção lida com a volatilidade dos sentimentos e a tentativa de capturar momentos de clareza em meio à confusão emocional.[42] "Hole" explora a sensação de estar incompleta, e Clarkson canta ao estilo do grupo Garbage[36] "Tem um buraco dentro de mim/ É tão frio, lentamente me matando",[nota 2] revelando a profundidade do vazio emocional que a consome.[43]
"Sober" é sobre enfrentar a dor e os traumas de forma lúcida, "sóbria", sem recorrer a fugas emocionais ou dependências.[44][45] A linha "Três meses e eu continuo sóbria"[nota 3] sugere um processo de cura em meio ao caos, escolhendo o que vale a pena manter dentro de si. Ao longo da canção, Clarkson canta com crescente intensidade, começando de forma quase sussurrada até alcançar um clímax vocal que transborda emoção.[46] Reminiscente a "With or Without You" (1987), da banda U2,[35] a instrumentação de "Sober" é contida no início, com dedilhados acústicos suaves e teclados discretos, crescendo em camadas até culminar em uma explosão de som.[47] Influenciada pelo power pop,[48] "Don't Waste Your Time" incorpora trechos de "Uh Oh", da cantora maltesa Ira Losco, para dar um recado direto a alguém que tenta, em vão, reconquistar a atenção da intérprete após já ter esgotado todas as oportunidades.[49][50] "Judas" é um electro-rock que recorre a metáforas bíblicas para tratar da traição, evocando a figura de Judas Iscariotes como reflexo do comportamento de alguém que decepcionou Clarkson profundamente.[39][4] A obscura "Haunted" aborda a dor da perda e a presença constante da ausência, inspirada pelo suicídio de alguém próximo à cantora.[4][51][44]
Canções 8–13
[editar | editar código]O álbum oferece um raro momento de paz com "Be Still",[52] uma balada acústica de tons folk blues e batida trip-hop[53][54] marcada por uma instrumentação minimalista e vocais suaves.[55] Suas letras são um convite à introspecção, à desaceleração em meio ao caos emocional que permeia o álbum, e o seu título referencia o Salmo 46:10.[53] Já "Maybe", levemente infundida de elementos country, lida com inseguranças pessoais e relacionais, expressando o medo de não ser suficientemente boa ou compreendida.[4][53][56] A new wave "How I Feel" revela a intérprete cansada de lamentar sobre como todos os homens bons estão casados com as suas perfeitas esposas-troféu.[46][41][54] "Um funk psicodélico com batida sexy", "Yeah" se destaca como uma das mais ousadas do álbum em termos sonoros.[53][57] A sua introdução é marcada por guitarras com forte influência do blues,[55] enquanto o ritmo é sustentado por uma vigorosa seção de metais, que lhe conferem uma atmosfera sensual e provocante.[58] De acordo com a revista Plugged In, as letras sexualmente insinuantes de "Yeah" retratam Clarkson como pronta para se entregar a um homem em quem possa confiar.[59]
"Can I Have a Kiss" adota uma sonoridade pop rock mais suave, funcionando como um contraponto ao tom combativo predominante em faixas anteriores.[55][41] As suas letras revelam a vulnerabilidade da intérprete, que admite suas imperfeições e reconhece razões pelas quais o parceiro poderia se afastar. A pergunta que dá título à obra, "Posso ganhar um beijo?", é repetida ao longo da faixa como uma súplica doce e desarmada.[60] Com o uso de um arranjo '"intimista" composto por um violão "suave", violoncelos "distantes" e teclados,[57][35][61] "Irvine" encerra a edição padrão do álbum retomando a sonoridade acústica. Os vocais da intérprete são marcados pelo uso de eco e foram descritos como "frágeis e sombrios" pela BBC Music.[55][35] Considerada pela cantora uma oração, a canção referencia no seu título a cidade de mesmo nome localizada no estado da Califórnia, na qual Clarkson se apresentou na última turnê do álbum anterior.[43][51] "Chivas", cujo título homenageia o uísque escocês Chivas Regal, é uma faixa escondida após "Irvine" e segue a produção de "gravação caseira" desta, enquanto Clarkson despreza um ex-parceiro dizendo "Prefiro um Chivas em vez da sua cama".[nota 4][57]
Recepção crítica
[editar | editar código]| Críticas profissionais | |
|---|---|
| Pontuações agregadas | |
| Fonte | Avaliação |
| Metacritic | (64/100)[62] |
| Avaliações da crítica | |
| Fonte | Avaliação |
| About.com | |
| AllMusic | |
| Entertainment Weekly | B+[41] |
| The Guardian | |
| IGN | 7.5/10[55] |
| Rolling Stone | |
| Slant Magazine | |
| Spin | 7/10[65] |
| Sputnikmusic | |
| Stylus Magazine | B[66] |
Os críticos musicais elogiaram My December tanto pelo risco artístico assumido por Clarkson quanto pela sua ruptura com as expectativas comerciais de sua gravadora.[45] O álbum gerou ampla cobertura midiática antes mesmo de seu lançamento, em razão de conflitos públicos entre Clarkson e Davis, que questionava a ausência de sucessos garantidos no disco.[40][67][37] O agregador de resenhas Metacritic, baseado em 15 publicações musicais, concedeu ao álbum uma média ponderada de 64 pontos em uma escala que vai até 100, o que indica "análises geralmente positivas".[62]
Bill Lamb, da página About.com, descreveu o álbum como "uma celebração do que pode acontecer quando um grande artista pop exige liberdade criativa". Lamb também elogiou as habilidades vocais de Clarkson e a produção adotada por Kahne.[38] Em sua resenha para a IGN, Spencer D. notou que a intérprete continuou a tomar "escolhas sonoras mais ousadas" desde a sua vitória no American Idol. Ainda que tenhas considerado essas escolhas como "boas, mas não ótimas", o crítico concluiu: "Como acontece com qualquer estrela pop tentando se libertar de seu molde pré-inscrito, é um caso de acerto e erro que tem a cantora em cima do muro, uma perna ainda presa no passado, a outra pendurada na linha divisória e se esticando em direção ao futuro."[55] Sal Cinquemani, da Slant Magazine, em resposta ao baixo desempenho de "Never Again", comentou em sua análise ao álbum: "Mas quem se importa com sucessos [...] quando as músicas são tão boas?".[37]
Em uma crítica morna, Stephen Thomas Erlewine, da AllMusic, opinou que My December representa "uma declaração de propósitos" por parte da cantora, alimentada por um período de turbulência pessoal e criativa. Erlewine observou que, ao insistir no lançamento do álbum conforme sua visão original, Clarkson "provou que ambos os lados estavam certos: Davis tinha razão ao afirmar que não havia grandes hits aqui, mas também era verdade que esse era o movimento artístico que ela precisava fazer".[40] Similarmente, Rob Sheffield escreveu para a Rolling Stone: "My December" é um disco que acerta em alguns pontos e irrita em outros."[64] Chris Willman, da Entertainment Weekly, também abordou o conflito criativo que cercou o lançamento, perguntando: "Você está no Time Kelly ou Time Clive?". Para Willman, o disco representa "o esforço mais ousado e melhor já feito por uma estrela do Idol", afastando-se dos compositores comerciais de Breakaway em favor de um trabalho coautorado, mais sombrio e pessoal. Embora tenha reconhecido que faltasse ao disco sucessos como "Since U Been Gone", Willman elogiou a honestidade brutal de faixas como "Irvine" e "Maybe".[41]
O The Guardian avaliou o disco de forma mais cética, com Caroline Sullivan destacando que, embora Clarkson tenha conquistado independência suficiente para se afastar do rótulo de "vencedora do American Idol", sua aposta no rock resultou em "uma versão esterilizada, que pede desculpas por fazer barulho". A publicação notou a contradição entre a proclamada "intimidade" das letras e a execução, que muitas vezes recorre a uma entrega vocal opulenta. Ainda assim, Sullivan reconheceu o mérito de "Irvine", descrita como uma valsa assombrada que "quase salva tudo" e oferece um vislumbre do potencial emocional que o álbum poderia ter explorado mais.[63] Mais negativo ainda, Dave Donelly, da Sputnikmusic, criticou a ausência de sucessos marcantes e a fragilidade das composições. Para Donelly, os arranjos apenas funcionam quando Clarkson aposta em baladas mais íntimas, como "Irvine" e "Chivas".[57]
Lista de faixas
[editar | editar código]Todas as faixas foram produzidas por David Kahne e coproduzidas por Jason Halbert e Jimmy Messer.[68]
| My December – Edição padrão[68] | ||||
|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
| 1. | "Never Again" |
| 3:37 | |
| 2. | "One Minute" |
| 3:05 | |
| 3. | "Hole" |
| 3:02 | |
| 4. | "Sober" |
| 4:52 | |
| 5. | "Don't Waste Your Time" |
| 3:36 | |
| 6. | "Judas" |
| 3:37 | |
| 7. | "Haunted" |
| 3:19 | |
| 8. | "Be Still" |
| 3:25 | |
| 9. | "Maybe" |
| 4:23 | |
| 10. | "How I Fell" |
| 3:41 | |
| 11. | "Yeah" |
| 2:43 | |
| 12. | "Can I Have a Kiss" |
| 3:32 | |
| 13. | "Irvine" (inclui a faixa escondida "Chivas") |
| 8:47 | |
| Duração total: | 51:39 | |||
| My December – Edição japonesa (faixas bônus) | ||||
|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
| 13. | "Irvine" |
| 4:15 | |
| 14. | "Chivas" |
| 3:30 | |
| 15. | "Fading" |
| 2:52 | |
| Duração total: | 54:00 | |||
| My December – Edição para iTunes e plataformas digitais (faixas bônus) | ||||
|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |
| 14. | "Dirty Little Secret" |
| 3:34 | |
| 15. | "Never Again" (Dave Audé Radio Remix) |
| 4:11 | |
| 16. | "Never Again" (Dave Audé Club Mix) |
| 7:55 | |
| 17. | "Not Today" |
| 3:30 | |
| Duração total: | 1:10:00 | |||
Créditos e envolvidos
[editar | editar código]Créditos de My December adaptados do encarte.[68]
- Vocais e músicos
|
|
- Orquestra em "Sober" e "Be Still"
- Mick Rossi – orquestrações, arranjos e regente
- Aaron Heick – saxofone alto
- Andy Laster – saxofone barítono
- Andrew Sterman – saxofone tenor, regente
- Erik Friedlander, Sara Seiver, Roger Shell e Wendy Sutter – violoncelo
- Jeff Carney – contrabaixo
- Cenovia Cummings, Joyce Hammann, Lori Miller, Antoine Silverman, Hiroko Taguchi, Entcho Todorov e Paul Woodiel – violino
- Direção e execução
|
|
- Estúdios
- Gravado no Mower Studios (Pasadena, Califórnia); The Village Recorder (Santa Mônica, Califórnia); Clinton Recording Studios e SeeSquared Studios (Nova Iorque)
- Mixado no Soundtrack Studios (Nova Iorque)
- Masterizado no Gateway Mastering (Portland, Maine)
Desempenho comercial
[editar | editar código]Em sua semana de estreia, My December teve um desempenho comercial sólido ao redor do mundo, mesmo diante de desafios promocionais e controvérsias em torno de seu lançamento. Nos Estados Unidos, o disco estreou na segunda posição da Billboard 200, com vendas de 291 mil cópias, sendo barrado por Hannah Montana 2: Meet Miley Cyrus, de Miley Cyrus.[69] Embora tenha superado as vendas iniciais de Breakaway, que estreou no número 3 da Billboard 200 pela venda de 250 mil cópias, My December permaneceu por apenas 18 semanas na parada estadunidense — índice inferior às 104 semanas do seu antecessor.[70] Em dezembro de 2007, o álbum foi certificado como platina pela Recording Industry Association of America (RIAA), equivalente a 1 milhão de unidades nos Estados Unidos.[71] Até setembro de 2017, as suas vendas puras no país contabilizavam 858 mil exemplares.[72] No Canadá, o projeto também alcançou a vice-liderança e foi certificado com platina pela Music Canada, refletindo vendas superiores a 100 unidades cópias no país.[73][74]
Em outros territórios anglófonos, My December também obteve recepção favorável nas paradas, estreando em segundo lugar na Irlanda e no Reino Unido,[75][76] e em ambos foi certificado com ouro. Enquanto a Irish Recorded Music Association (IRMA) concedeu sua certificação por 7 mil e 500 exemplares,[77] a British Phonographic Industry (BPI) constatou o ouro devido a mais de 156 mil cópias.[78][79] A resposta foi igualmente positiva na Austrália, com pico na quarta posição e certificação de ouro pela Australian Recording Industry Association (ARIA) após mais de 35 mil unidades no país.[80][81] O álbum ainda figurou entre os dez mais vendidos na Escócia (3º),[82] Alemanha (5º),[83] Suíça (5º),[84] Países Baixos (7º),[85] Áustria (8º) e Nova Zelândia (8º), consolidando a presença de Clarkson nos principais mercados musicais globais.[86][87]
Paradas semanais
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Paradas anuais
Certificações
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Notas
Referências
- ↑ Neal, Rome (16 de agosto de 2004). «Kelly Clarkson: Breakaway». CBS News (em inglês). Consultado em 7 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 21 de junho de 2014
- ↑ «Clarkson Won't Let 'Idol' Use Her Songs»
. Billboard (em inglês). 18 de janeiro de 2008. Consultado em 7 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 14 de junho de 2013 - 1 2 Tyrangiel, Josn (5 de fevereiro de 2006). «Miss Independent». Time (em inglês). Consultado em 7 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 19 de fevereiro de 2014
- 1 2 3 4 Taffo, Livia Orsini (23 de julho de 2007). «Kelly Clarkson: My December». Território da Música. Consultado em 7 de dezembro de 2016. Arquivado do original em 24 de março de 2015
- ↑ «Kelly Clarkson Wins Best Pop Vocal Album». Recording Academy (em inglês). Consultado em 1 de abril de 2025. Cópia arquivada em 3 de abril de 2013
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- ↑ «Kelly Clarkson: Drinking Just Adds Calories!». Just Jared (em inglês). 6 de junho de 2007. Consultado em 7 de dezembro de 2016. Cópia arquivada em 12 de dezembro de 2016
- ↑ «Kelly Clarkson: novo CD e turnê pelo Brasil». Capricho. 24 de julho de 2013. Consultado em 7 de dezembro de 2016
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- 1 2 Erro de citação: Etiqueta
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