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Friedrich Waismann

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Friedrich Waismann
Nascimento21 de março de 1896
Viena
Morte4 de novembro de 1959 (63 anos)
Oxford
ResidênciaReino Unido
CidadaniaÁustria
Alma mater
Ocupaçãofilósofo, físico, matemático, professor universitário
Distinções
Empregador(a)Universidade de Oxford

Friedrich Waismann[1] ( 21 de março de 18964 de novembro de 1959) foi um matemático, físico e filósofo austríaco. É mais conhecido por ter sido membro do Círculo de Viena e um dos principais teóricos do positivismo lógico.

Biografia

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Nascido em uma família judaica em Viena, na Áustria-Hungria, Waismann foi educado em matemática e física na Universidade de Viena.[2] Em 1922, começou a estudar filosofia sob a tutela de Moritz Schlick, o fundador do Círculo de Viena. Obteve uma posição temporária em Cambridge no outono de 1937; o anexação da Áustria pela Alemanha Nazista em 1938 o tornou um refugiado.[3]

Foi professor-leitor em filosofia da ciência na Universidade de Cambridge de 1937 a 1939, e professor de filosofia da matemática na Universidade de Oxford de 1939 até sua morte. Faleceu em Oxford.

Relação com Wittgenstein

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Após extensa correspondência, Schlick encontrou-se pela primeira vez com Ludwig Wittgenstein em 1927. Os dois se reuniram várias vezes antes que Wittgenstein concordasse em ser apresentado a alguns membros do círculo de Schlick. De 1927 a 1928, Wittgenstein se encontrou com um círculo que incluía Schlick, quase sempre Waismann, às vezes Carnap, e às vezes Feigl e sua futura esposa Maria Kesper. É duvidoso, porém, que Wittgenstein tenha comparecido a alguma reunião oficial do Círculo de Viena. A partir de 1929, o contato de Wittgenstein com o Círculo ficou restrito a encontros somente com Schlick e Waismann.[4]

Esses encontros posteriores (de dezembro de 1929 até março de 1932) foram registrados por Waismann e publicados em tradução para o inglês em Ludwig Wittgenstein and the Vienna Circle (1979). Quando essas conversas tiveram início, Schlick havia encarregado Waismann de escrever uma exposição da filosofia de Wittgenstein.[5] Esse projeto passou por transformações radicais, mas o texto final — inspirado por Wittgenstein, porém essencialmente obra do próprio Waismann — foi publicado postumamente em inglês como The Principles of Linguistic Philosophy em 1965. Outros materiais e notas do período foram publicados em inglês sob a organização de Gordon Baker em 2003.[6]

Waismann posteriormente acusou Wittgenstein de obscurantismo, em razão do que considerava ser uma traição ao projeto do positivismo lógico e da explicação de base empírica.[7]

Filosofia

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Filosofia linguística e positivismo lógico

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Em Introduction to Mathematical Thinking: The Formation of Concepts in Modern Mathematics (1936), Waismann argumentou que as verdades matemáticas são verdadeiras por convenção, e não necessariamente (ou verificavelmente) verdadeiras. Seus artigos reunidos foram publicados postumamente em How I See Philosophy (1968, org. R. Harré)[8] e em Philosophical Papers (1976, org. B. F. McGuinness).[9][10]

Porosidade e verificabilidade

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Waismann introduziu o conceito de textura aberta para descrever a possibilidade universal de vagueza nas afirmações empíricas. Ele cunhou a expressão die Porosität der Begriffe ("a porosidade dos conceitos") para esse fim, e credita a William Kneale a sugestão do termo em inglês, que ele então adotou.[11]

O conceito provavelmente se baseia, segundo Brian Bix, "em uma visão construtivista da linguagem que Wittgenstein apresentou no início da década de 1930".[12] Segundo Waismann, mesmo após a adoção de medidas para garantir a precisão de uma afirmação, permanece uma fonte inesgotável de vagueza, decorrente de um número indefinido de possibilidades.[13] A noção de vagueza em Waismann difere ligeiramente de seu conceito de textura aberta — ele explicou que a textura aberta se assemelha mais à possibilidade de vagueza;[14] a vagueza também pode ser corrigida de modo a tornar-se mais precisa, ao passo que a textura aberta não.[14]

A textura aberta foi encontrada na filosofia do direito por meio dos escritos de H. L. A. Hart (ver "Formalism and Rule Scepticism", em The Concept of Law). Segundo Hart, a vagueza constitui uma característica fundamental das linguagens jurídicas.[15] Sustenta-se, contudo, que a conceituação de Waismann tem aplicação prática limitada, uma vez que se volta mais para o extraordinário, enquanto a visão de Hart sobre a textura aberta se ocupa do mais corriqueiro, abordando o termo no contexto de uma norma específica.[16]

Publicações selecionadas

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Referências

  1. Sources on Wittgenstein: the Nachlasses of Moritz Schlick, Rudolf Carnap and Friedrich Waismann. Em cena em 1m45s
  2. Quinton, Anthony (1977). Friedrich Waismann: Philosophical Papers. [S.l.]: D. Reidel Publishing Company. p. ix. ISBN 9789027707130
  3. Mcguinness, Brian (2011). McGuinness, B.F., ed. «Waismann: The Wandering Scholar». Dordrecht: Springer Netherlands (em inglês): 9–16. ISBN 978-94-007-1751-0. doi:10.1007/978-94-007-1751-0_1
  4. McGuinness, Brian (1979). Wittgenstein and the Vienna Circle: Conversations Recorded by Friedrich Waismann. tradução de Joachim Schulte e Brian McGuinness. Nova Iorque: Barnes & Noble Books. pp. 14–18. ISBN 978-0-06-497310-6
  5. Hacker, P. M. S. (1981). «Review of Ludwig Wittgenstein and the Vienna Circle: Conversations Recorded by Friedrich Waismann, Brian McGuinness; Wittgenstein's Lectures: Cambridge 1930-1932, From the Notes of John King Desmond Lee; Wittgenstein's Lectures: Cambridge 1932-1935, from the Notes of Alice Ambrose and Margaret Macdonald». The Philosophical Review. 90 (3): 445–446. ISSN 0031-8108. JSTOR 2184987. doi:10.2307/2184987
  6. McGinn, Marie (6 de junho de 2004). «The Voices of Wittgenstein: The Vienna Circle: Ludwig Wittgenstein and Friedrich Waismann». Notre Dame Philosophical Reviews (em inglês). Consultado em 16 de fevereiro de 2025. Cópia arquivada em 31 de maio de 2023
  7. Shanker, S., & Shanker, V. A. (1986), Ludwig Wittgenstein: critical assessments. London: Croom Helm, p. 50-51.
  8. Church, Alonzo (1973). «Review of How I see Philosophy». The Journal of Symbolic Logic. 38 (4): 663–665. ISSN 0022-4812. JSTOR 2272024. doi:10.2307/2272024. This book collects in a single volume the important philosophical papers of Waismann. The editor explains on page viii that Waismann's The relevance of psychology to logic (Aristotelian Society supplementary volume XVII, 1938, pp. 34-67) has been omitted as not forming a natural part of Waismann's later philosophy. It should be added that papers which were written by Waismann in German have also been omitted.
  9. Stock, Guy (1979). «Review of Philosophical Papers». The Philosophical Quarterly. 29 (114): 78–81. ISSN 0031-8094. JSTOR 2219187. doi:10.2307/2219187. This collection of fourteen papers spans the years 1928 to the 1950s. ... The earlier papers are mainly translations appearing in English for the first time. The later ones were written in English and are previously unpublished.
  10. 1 2 Waismann, Friedrich (1977). Philosophical papers. Dordrecht: Reidel. ISBN 978-90-277-0713-0
  11. MacKinnon, D. M.; Waismann, F.; Kneale, W. C. (1945). «Symposium: Verifiability». Proceedings of the Aristotelian Society, Supplementary Volumes. 19: 121. JSTOR 4106531. doi:10.1093/aristoteliansupp/19.1.101
  12. Bix, Brian (2 de novembro de 1995). «H. L. A. Hart and the 'Open Texture' of Language». Law, Language, and Legal Determinacy. [S.l.]: Oxford University Press. pp. 7–35. ISBN 978-0-19-826050-9. doi:10.1093/acprof:oso/9780198260509.003.0002
  13. Audi, Robert (1999). The Cambridge Dictionary of Philosophy, 2nd Edition. Cambridge: Cambridge University Press. p. 632. ISBN 9780521637220
  14. 1 2 Freeman, Michael; Smith, Fiona (2013). Law and Language: Current Legal Issues. Oxford: Oxford University Press. p. 132. ISBN 9780199673667
  15. Urbina, Sebastián (31 de agosto de 2002). Legal Method and the Rule of Law. The Hague: Kluwer Law International. p. 81. ISBN 9041118705
  16. Beltrán, Jordi Ferrer; Ratti, Giovanni Battista (2012). The Logic of Legal Requirements: Essays on Defeasibility. Oxford: Oxford University Press. p. 196. ISBN 9780199661640

Ligações externas

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