Ataques de Israel a Gaza matam pelo menos 130 crianças e dois funcionários da ONU
Agência da ONU alerta para situação de “medo e morte” por parte de crianças que enfrentam cenário de guerra há mais de 15 meses. Último camião com ajuda humanitária entrou em Gaza há 16 dias.
O ataque de Israel na madrugada de terça-feira causou mais de 400 mortes, incluindo 130 crianças, disse nesta quarta-feira a Unicef, num primeiro balanço dos bombardeamentos que terminaram o cessar-fogo. Já nesta quarta-feira, novos ataques de Israel fizeram dezenas de mortos, entre eles, dois funcionários da ONU.
“Alguns dos ataques terão atingido abrigos improvisados com crianças e famílias a dormir, mais uma lembrança mortal de que em Gaza não há lugar seguro", pode ler-se no comunicado publicado no site da agência da ONU.
Já durante a madrugada desta quarta-feira, segundo escreve a Al Jazeera, 24 palestinianos foram mortos pela artilharia israelita. Entre as vítimas mortais, estão dois funcionários da ONU, confirmou à SIC o director executivo da UNOPS (Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projectos), o português Jorge Moreira da Silva. Além das mortes, contam-se ainda cinco feridos.
“Não foi um acidente”, disse. “O que está a acontecer em Gaza é inconcebível”, acrescentou Jorge Moreira da Silva.
Desde o início do conflito, estima-se que mais de 48.000 palestinianos tenham sido mortos na Faixa de Gaza.
Medo e morte
No comunicado publicado na terça-feira, a Unicef dá conta de que os ataques de Israel ocorrem numa altura em que a "ajuda vital" continua a não chegar ao enclave palestiniano, "agravando os riscos para as crianças". Segundo a agência da ONU, o último camião com ajuda humanitária entrou em Gaza há 16 dias. Poucos dias depois, as autoridades de Israel cortaram o fornecimento de electricidade a uma central de dessalinização de água potável.
“A decisão de Israel de cortar o fornecimento de electricidade à principal central de dessalinização em funcionamento em Gaza, uma semana depois de ter impedido a entrada de toda a ajuda humanitária e de todos os fornecimentos comerciais, incluindo combustível e alimentos, viola o direito humanitário internacional e constitui mais uma prova do genocídio perpetrado por Israel contra os palestinianos na Faixa de Gaza ocupada”, afirmou, na altura, Erika Guevara Rosas, directora sénior da Amnistia Internacional para a Investigação, Política, Advocacia e Campanhas.
De acordo com um relatório do Gabinete Central de Estatísticas palestiniano, citado pela Al Jazeera, os ataques israelitas em Gaza tornaram inoperante cerca de 85% das instalações de água e saneamento do enclave. Deste modo, o abastecimento de água em Gaza diminuiu 65% desde que a guerra começou, deixando os residentes com apenas três a cinco litros diários por pessoa, muito abaixo dos 15 recomendados pela Organização Mundial de Saúde.
“Hoje, um milhão de crianças de Gaza — que suportaram mais de 15 meses de guerra — voltaram a mergulhar num mundo de medo e morte. Os ataques e a violência têm de acabar — já", exige, por seu lado, a Unicef, no comunicado publicado na terça-feira.
Na sequência do ataque desta terça-feira, também a passagem de Rafah, que liga Gaza ao Egipto, foi encerrada. Durante o cessar-fogo, esta foi a principal via de saída para doentes e feridos da Faixa de Gaza.
Pelo ar e pelo mar
Segundo a Reuters, as autoridades israelitas dizem ter atingido, já nesta quarta-feira, infra-estruturas do Hamas, no Norte de Gaza, onde estariam a ser desenvolvidos preparativos para um ataque contra território israelita. Os ataques das últimas horas visaram também alvos marítimos que, segundo Israel, se destinavam a levar a cabo "actos terroristas" dos grupos militantes Hamas e Jihad Islâmica.
Por seu lado, os palestinianos afirmaram que um drone israelita disparou contra vários barcos de pesca em terra da cidade de Gaza, incendiando vários deles.
Na quarta-feira, o Exército israelita lançou panfletos nas zonas de Beit Hanoun e Khan Younis, no Norte e no Sul da Faixa de Gaza, ordenando aos residentes que deixassem as suas casas, avisando-os de que se encontravam em “zonas de combate perigosas”.
“Ficar nos abrigos ou na tenda actual põe em perigo a vossa vida e a dos vossos familiares, saiam imediatamente”, lê-se num folheto lançado em Beit Hanoun.







