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Ulrico Zuínglio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Zwingli)
Huldrych Zwingli
Ulrico Zuínglio
BERJAYA
NascimentoUlrich Zwingli
1 de janeiro de 1484
Wildhaus, Antiga Confederação Helvética
Morte10 de outubro de 1531 (47 anos)
Kappel am Albis, Antiga Confederação Helvética
CidadaniaAntiga Confederação Helvética
CônjugeAnna Reinhart
Filho(a)(s)Regula Gwalther-Zwingli, Wilhelm Zwingli, Huldrich Zwingli, Anna Zwingli
Irmão(ã)(s)Jakob Zwingli, Andreas Zwingli, Klaus Zwingli, Heini Zwingli
Alma mater
OcupaçãoTeólogo
Religiãocristianismo Reformado

Ulrico Zuínglio ou Hulrico Zuínglio (em alemão: Huldrych Zwingli; em latim: Huldericus Zvinglius, translitado como Hulricus Zvinglius; Wildhaus, Cantão de São Galo, 1º de janeiro de 1484Kappel am Albis, 10 de outubro de 1531), foi um teólogo suíço e principal líder da Reforma Protestante na Suíça.

Zuínglio foi o líder da reforma suíça e fundador das igrejas reformadas suíças. Independentemente de Martinho Lutero, que era doctor biblicus, Zuínglio chegou a conclusões semelhantes pelo estudo das escrituras do ponto de vista de um erudito humanista. Zuínglio não deixou uma igreja organizada, mas as suas doutrinas influenciaram as confissões calvinistas.

Biografia

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Nasceu numa família rica da classe média, foi o terceiro de oito filhos. Seu pai Ulrico era o magistrado chefe da cidade e o seu tio Bartolomeu o vigário.[1][2][3]

Fez os primeiros estudos em Basileia e Berna, e os estudos superiores em Viena e depois em Basileia, onde, em 1506, obteve o "Magister Sententiarum" (o título de Mestre das Sentenças de Pedro Lombardo). No mesmo ano foi ordenado sacerdote e destinado à paróquia de Glanora, na qual desempenhou com dedicação suas funções pastorais, sem descurar, por isso os estudos e os contatos com o mundo da cultura, tornando-se um convicto fautor do humanismo.[1][2][3]

Em 1516 foi transferido para a abadia de Einsiedeln como capelão. Naquele santuário, a exuberância das práticas religiosas, que, nos fiéis, raiava pela superstição e, no clero, pelas práticas simoníacas, chocou profundamente o espírito do jovem sacerdote, preparando-o para as ideias da Reforma Protestante que não tardariam em vir da Alemanha.[1][2][3]

Datam deste período os primeiros contatos com Erasmo de Roterdã, do qual se tornou grande admirador e em larga escala também seguidor.[1][2][3]

Em 1519 foi transferido como cura da catedral, para Zurique, onde em suas pregações começou a criticar com insistência as indulgências e a comentar a Bíblia segundo o "evangelho puro", inspirando-se nos escritos de Lutero, que ele considerava substancialmente na linha do reformismo de Erasmo ou pelo menos não em antítese a ele. Mais tarde também atacou o celibato eclesiástico e começou a conviver com uma viúva, a qual desposou publicamente em 1524.[4] A partir de 1522 começou a criticar cada vez mais radicalmente a devoção a Virgem Maria e aos santos, a autoridade dogmática e disciplinar dos concílios e dos papas, o culto das imagens, a missa como sacrifício. Em vista disso, o bispo de Constança proibiu-o de pregar, acusando-o de heresia.[1][2][3]

A partir de 1522, ano em que se casou secretamente com Anna Reinhard,[4] Zwingli se empenhou na obra da Reforma. Partindo do princípio de que só a Bíblia contém a doutrina necessária para a salvação,[4] preparou 67 breves artigos de fé. Neles afirmava que Cristo é a única autoridade da igreja e que a salvação se opera pela fé. Em De vera et falsa religione commentarius (1525; Comentário sobre a verdadeira e a falsa religião), negou o caráter sacrificial da missa, a salvação pelas obras, a intercessão dos santos, a obrigatoriedade dos votos monásticos, a existência do purgatório. Afirmou o caráter simbólico da eucaristia, divergindo de Martinho Lutero,[4] que tomava de forma literal as palavras de Cristo "este é o meu corpo".[1][2][3]

A reforma de Zuínglio foi apoiada pelo magistrado e pela população de Zurique e levou a mudanças significantes na vida civil e em assuntos de estado em Zurique.[4] O governo de Zurique anulou a proibição do bispo, introduziu a língua alemã na liturgia e aboliu o celibato eclesiástico. A Reforma Protestante propagou-se desde Zurique a cinco outros cantões da Suíça, enquanto que os restantes 5 ficaram firmemente do lado da fé católica-romana.[1][2][3]

Zuínglio organizou sessões de debate teológico, nas quais os argumentos dele e de outros protestantes eram confrontados com os argumentos da Igreja Católica oficial. Normalmente, os seus argumentos eram mais convincentes e estas sessões acabavam por ser um fortalecimento da reforma. Em Janeiro de 1523, foi organizada uma disputa em Zurique, com a presença de seiscentas pessoas, que assistiram a uma confrontação entre Zuínglio e os enviados do Bispo de Constança. Ao contrário do modelo medieval (disputatio), esta forma de disputa tem lugar em local público e não numa sessão fechada ao público, algures numa universidade, sendo falada em alemão e não em latim. Em 1528, uma sessão semelhante teve lugar em Berna.[1][2][3]

Zuínglio tentou sem êxito a aliança entre Zurique, França e a Savoia, mas conseguiu organizar uma Aliança Cívica Cristã, que em 1529 já contava com vários cantões, iniciando-se a luta armada. Decidido a pôr fim ao perigo de intervenção imperial, em face da hostilidade dos cantões católicos, Zwingli incitou o Conselho de Zurique a atacá-los e, ao acompanhar as tropas como capelão, encontrou a morte em batalha, perto de Kappel am Albis, em 11 de outubro de 1531.[4] Crê-se que o seu cadáver foi esquartejado e dado às chamas.[1][2][3]

Zuínglio e Martinho Lutero

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Martinho Lutero frequentemente atacava algumas afirmações de Zuínglio.[1][2][3] Muitas tentativas foram feitas para a aproximação dos dois reformistas, mas nunca tiveram sucesso. Quanto à visão teológica, a de Zuínglio tem muitos elementos em comum com a de Lutero nas negações, mas é muito diferente dela nas afirmações. De fato, o motivo que levou Zuínglio à Reforma é precisamente o contrário ao de Lutero. Este último era movido por razões fideístas: a incapacidade do homem, em virtude das quais o homem e Deus estão separados por um abismo tão grande que nenhuma série de intermediários jamais poderá transpor. Zuínglio, ao contrário, apoiava-se em motivos racionalistas e humanísticos: a bondade essencial do homem, que faz com que ele não precise de nenhuma série de impulsos para subir até Deus, porque está em condições de fazê-lo sozinho. A tendência racionalista da reforma zuingliana pode ser notada imediatamente nas seguintes doutrinas: redução do pecado original a um simples vício hereditário não merecedor de condenação eterna e sem diminuição das forças éticas do homem; valor positivo da Lei e não meramente negativo; felicidade eterna acessível também aos sábios pagãos que tivessem praticado a lei moral natural.[1][2][3] Lutero e Zuínglio estão muito longe um do outro tanto pelos motivos teológicos quanto pelos motivos que se propuseram com a Reforma: enquanto Lutero que responder à questão "como serei salvo?", Zuínglio propõe outra: "como será salvo o meu povo?".[1][2][3]

"A grande preocupação de Lutero, tanto em Erfurt quanto em Wittenberg, era a salvação de sua alma. Não era certamente uma angústia egoísta porque pode-se dizer que ele tomou sobre si a angústia de toda a sua época. Mas o que constituía o tormento de Zuínglio era a salvação de seu povo."[5]

Zuínglio e João Calvino

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Ulrico Zuínglio morreria em 1531, e com sua morte, parecia que a reforma na Suíça acabaria. Mas o movimento continuou, e agora quem assumiria a liderança seria Heinrich Bullinger, que embora fosse um líder muito capaz, parecia que o movimento estava condenado a ficar restrito a algumas regiões da Suíça e da Alemanha, e assim não causaria qualquer impacto ao restante da Europa e ao mundo. Mas então entra em cena João Calvino, um intelectual brilhante que iria dar profundidade teológica à fé reformada, sistematizando-a em suas Institutas da Religião Cristã, conduzindo-a a um alcance e impacto por toda a Europa, e daí ao resto do mundo, transpondo fronteiras territoriais e temporais.[1][2][3]

Lista de trabalhos

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As obras coletadas de Zwingli devem preencher 21 volumes. Uma coleção de obras selecionadas foi publicada em 1995 pelo Zwingliverein em colaboração com o Theologischer Verlag Zürich[6] Esta coleção de quatro volumes contém as seguintes obras:[7] (Nomes originais e tradução para o inglês, entre aspas)

  • Volume 1: 1995, 512 pages, ISBN 3-290-10974-7
    • Pestlied (1519/20) "The Plague Song"
    • Die freie Wahl der Speisen (1522) "Choice and Liberty regarding Food"
    • Eine göttliche Ermahnung der Schwyzer (1522) "A Solemn Exhortation [to the people of Schwyz]"
    • Die Klarheit und Gewissheit des Wortes Gottes (1522) "The Clarity and Certainty of the Word of God"
    • Göttliche und menschliche Gerechtigkeit (1523) "Divine and Human Righteousness"
    • Wie Jugendliche aus gutem Haus zu erziehen sind (1523) "How to educate adolescents from a good home"
    • Der Hirt (1524) "The Shepherd"
    • Eine freundschaftliche und ernste Ermahnung der Eidgenossen (1524) "Zwingli's Letter to the Federation"
    • Wer Ursache zum Aufruhr gibt (1524) "Those Who Give Cause for Tumult"
  • Volume 2: 1995, 556 pages, ISBN 3-290-10975-5
    • Auslegung und Begründung der Thesen oder Artikel (1523) "Interpretation and justification of the theses or articles"
  • Volume 3: 1995, 519 pages, ISBN 3-290-10976-3
    • Empfehlung zur Vorbereitung auf einen möglichen Krieg (1524) "Plan for a Campaign"
    • Kommentar über die wahre und die falsche Religion (1525) "Commentary on True and False Religion"
  • Volume 4: 1995, 512 pages, ISBN 3-290-10977-1
    • Antwort auf die Predigt Luthers gegen die Schwärmer (1527) "A Refutation of Luther's sermon against vain enthusiasm"
    • Die beiden Berner Predigten (1528) "The Berne sermons"
    • Rechenschaft über den Glauben (1530) "An Exposition of the Faith"
    • Die Vorsehung (1530) "Providence"
    • Erklärung des christlichen Glaubens (1531) "Explanation of the Christian faith"

A edição completa de 21 volumes está sendo realizada pelo Zwingliverein em colaboração com o Institut für schweizerische Reformationsgeschichte e está projetada para ser organizada da seguinte forma:

  • vols. I–VI Werke: os escritos teológicos e políticos de Zwínglio, ensaios, sermões etc., em ordem cronológica. Esta seção foi concluída em 1991.
  • vols. VII–XI Briefe: Cartas
  • vol. XII Randglossen: glosas de Zwingli na margem dos livros
  • vols XIII ff. Exegetische Schriften: notas exegéticas de Zwingli sobre a Bíblia.

Vols. XIII e XIV foram publicados, vols. XV e XVI estão em preparação. Vols. XVII a XXI são planejados para cobrir o Novo Testamento.

As edições alemãs / latinas mais antigas disponíveis online incluem:

Veja também as seguintes traduções para o inglês de obras selecionadas de Zwingli:

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Furcha, E. J., ed. (1985), Huldrych Zwingli, 1484–1531: A Legacy of Radical Reform: Papers from the 1984 International Zwingli Symposium McGill University, Montreal: Faculty of Religious Studies, McGill University, ISBN 0-7717-0124-1
  2. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Gäbler, Ulrich (1986), Huldrych Zwingli: His Life and Work, Philadelphia: Fortress Press, ISBN 0-8006-0761-9
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Furcha, E. J., ed. (1985), Huldrych Zwingli, 1484–1531: A Legacy of Radical Reform: Papers from the 1984 International Zwingli Symposium McGill University, Montreal: Faculty of Religious Studies, McGill University, ISBN 0-7717-0124-1
  4. 1 2 3 4 5 6 CAIRNS, Earle Edwin. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã / Earle Edwin Cairns; tradução Israel Belo de Azevedo, Valdemar Kroker - 3ª edição - São Paulo : Vida Nova, 2008
  5. COURVOISIER, J., Zwingli, théologien réformé, Edições Delachaux & Nistlé, Neuchatêl, 1965, 16.
  6. Huldrych Zwingli, Schriften (4 vols.), eds. Th. Brunnschweiler and S. Lutz, Zürich (1995), ISBN 978-3-290-10978-3
  7. English titles are those of Stephens 1992, pp. 171ff

Bibliografia

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Ligações externas

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